
A concentração tem início às 17h na Praça Heliodoro Balbi, mais conhecida como Praça da Polícia, Centro de Manaus, e percorrerá as Avenidas 7 de Setembro e Eduardo Ribeiro. A partir das 18h acontecerá a Gira de Exú, com a previsão de término às 23 horas.
Nesse 4º ano, o ato denuncia a guerra religiosa deflagrada contra Terreiros, por parte de um um grupo nacional e oficiais, suboficiais, praças, Delegados de Polícia e agentes de Polícia Civil, que usam de forma seletiva e abusiva do Artigo 42 da Lei de Contravenções Penais, a serviço de igrejas neopentecostais de direita e conservadoras.
A 4ª Marcha para Èṣù em Manaus – Exú não é Satanás – esse ano traz como lema – O Povo da Esquerda não nos abandona.
A Marcha, realizada pela Associação de Desenvolvimento Sócio Cultural Toy Badé é organizada pela Articulação Amazônica dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro de Matriz Africana – ARATRAMA, contará com a presença de Babalorixás, Iyalorixás, Dotés, Pais e Mães de Santo, Umbandistas, Juremeiros, Mineiros do Tambor de Mina Jeje e Nagô, bem como de movimentos da sociedade civil.
O grande apelativo das Marchas para Èṣù em todo Brasil, ocorre em meio a um cenário nacional de escalada crescente, de perseguição e criminalização aos Povos de Matriz Africana.
Guerra religiosa
É inegável que se formou no Brasil uma verdadeira operação de guerra religiosa contra os Terreiros, Casas de Axé, Centros de Umbanda e Casas de Tambor de Mina. Há registro em praticamente todos os estados.
Segundo o Xɛ́byosɔnɔ̀n Ọba Méjì Fataɖagbenɔ um nyi Alberto Jorge Silva, Coordenador Geral da ARATRAMA, só em Manaus, depois da entrada não autorizada no Terreiro de Tambor de Mina de Pai Eriberto Sena, onde instrumentos sagrados foram profanado em ato de sacrilégio e racismo por policiais que fingem desconhecer a laicidade do estado.
“Os aparelhos de segurança pública – Polícia Militar e Polícia Civil – vêm sendo instrumentalizados e colocados a serviço de interesses de igrejas neopentecostais ligadas à ideologia de direita conservadora, promovendo invasões, interrupção de toques, apreensão de instrumentos sagrados e constrangimento de lideranças religiosas. Os últimos 4 casos que tivemos conhecimento, as vítimas não prestaram queixa devido às ameaças e intimidações explícitas dos PMs.” Assegurou o Sacerdote, com base no relato das vítimas.
Todo o embasamento jurídico para esta nova “caça às bruxas e aos bruxos” está apoiado em um decreto lei, anacrônico, de 1941.
Lei de 1941
Toda a perseguição desencadeada em nível nacional, com o uso absurdo de até 8 viaturas da Polícia Militar para silenciar um único Xirê (celebração litúrgica), se apoia no Artigo 42 do Decreto-Lei nº 3.688/1941, conhecido como Lei de Contravenções Penais (LCP) – a famigerada Lei da perturbação do sossego.
O referido artigo vem sendo aplicado de forma seletiva e racista contra os Povos de Terreiro, como se mais ninguém no Brasil cometesse crime de perturbação do sossego público em altas horas da madrugada.
Principalmente igrejas evangélicas neopentecostais, com suas infindáveis vigílias, cultos e shows gospel, onde caixas de som a todo volume, madrugada adentro, clamam a um deus que certamente sofre de surdez – e jamais são abordadas por uma única viatura.
O recado
A 4ª Marcha para Èṣù em Manaus traz um recado aberto, direto e contundente à polícia de todo o Brasil.
A mensagem estampada no nosso Backdrop, na faixa que abrirá a 4ª Marcha e nas nossas vozes do Povo de Àṣé de Manaus, é sem rodeios:
”Terreiro é lugar sagrado. Peça permissão pra entrar. Peça licença pra sair. Com Èṣù não se brinca.”
E uma segunda mensagem, direcionada especificamente aos agentes da segurança pública:
”Policiais Militares, enquanto vocês não usarem o Artigo 42 do Decreto-Lei nº 3.688/1941, a Lei de Contravenções Penais, para as igrejas evangélicas que com caixas de som a todo volume, madrugada adentro, perturbam o sossego público, vocês não têm moral para entrar em nossos Terreiros. Honrem a farda da Polícia Militar, ajam com imparcialidade.”
A Marcha reafirma: Èṣù não é Satanás. Lẹgbá não é demônio. Exú é movimento, é caminho, é comunicação, é o guardião da ordem e da desordem. É o Orixá que garante que o Axé circule.
Criminalizar Èṣù é criminalizar o Povo Preto. É racismo religioso.
SERVIÇO:
O QUÊ: 4ª Marcha para Èṣù em Manaus – Exú não é Satanás
LEMA: O Povo da Esquerda não nos abandona!
QUANDO: Sexta-feira, 28 de agosto de 2026, às 17h
ONDE: Concentração na Praça da Polícia, Av 7 de Setembro, no Centro Histórico de Manaus
RODA DE EXÚ: das 18h às 23h horas, na Rua Dr. José Clemente, com a Av. Eduardo Ribeiro.
POR QUÊ: Contra o racismo religioso, contra o uso seletivo do Art. 42 da LCP, em defesa dos Terreiros como lugar sagrado.


