Região chegou a 10,78% em agosto, alta de 1,97 ponto percentual desde janeiro; Sudeste, que liderava o ranking no início do ano, ficou em 10,70%

Pela primeira vez na série histórica, a Região Norte ultrapassou o Sudeste e passou a registrar o maior índice de inadimplência do varejo entre as cinco regiões brasileiras. Em agosto, o indicador chegou a 10,78%, enquanto o Sudeste ficou em 10,70%.
Os dados são frutos da última atualização do Índice de Inadimplência do Meu Crediário. A mudança representa uma inversão em relação ao início do ano. Em janeiro, o Norte tinha índice de 8,81%, 1,51 ponto percentual abaixo do Sudeste, que registrava 10,32%.
Ao longo dos meses, porém, a inadimplência avançou na região: passou por 9,01% em fevereiro, 9,28% em março, 9,69% em abril, 9,61% em maio, 9,83% em junho e 10,04% em julho, antes de chegar aos 10,78% de agosto.
O resultado de agosto também chama atenção na comparação com o mesmo período do ano passado. Em agosto de 2025, o Norte registrava 9,14%, o que significa uma alta de 1,64 ponto percentual em 12 meses. No mesmo intervalo, o índice nacional passou de 8,45% para 8,81%, avanço de 0,36 ponto percentual.
A trajetória do Norte contrasta com a do Sudeste nos últimos meses. Enquanto o índice nortista subiu 0,74 ponto percentual entre julho e agosto, o Sudeste recuou de 10,86% para 10,70%. As demais regiões ficaram abaixo dos dois líderes: Nordeste, com 8,39%; Centro-Oeste, com 8,16%; e Sul, com 7,41%.
Crédito ainda caro
A inversão regional ocorre em um cenário de crédito ainda pressionado no país. Segundo o Banco Central, a taxa média de juros das operações de crédito livre para pessoas físicas chegou a 60% ao ano em julho. A inadimplência nessa modalidade estava em 7,8%.
O endividamento das famílias também permanece elevado. O Banco Central registrou 49,8% de comprometimento da renda das famílias com dívidas em junho, alta de 1 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2025. O dado ajuda a dimensionar o ambiente financeiro em que consumidores e varejistas estão operando, embora não permita estabelecer uma relação direta entre esses indicadores e o resultado do Meu Crediário.
O mercado de trabalho apresenta diferenças importantes dentro da própria Região Norte. Segundo a PNAD Contínua do IBGE, no primeiro trimestre de 2026, o desemprego chegou a 10% no Amapá, enquanto Rondônia registrou 3,7%. No Pará, a taxa ficou em 7,2%.
Além das diferenças na desocupação, a informalidade é elevada em parte dos estados nortistas. No primeiro trimestre, o IBGE registrou taxa de informalidade de 56,5% no Pará e 53,2% no Amazonas, acima da média nacional de 37,3%. Esses números ajudam a contextualizar as condições de renda e ocupação da região, mas também não permitem atribuir diretamente a alta da inadimplência a um único fator.
Para o varejo, o resultado de agosto coloca o Norte em uma posição inédita no ranking regional do índice. A diferença para o Sudeste, de apenas 0,08 ponto percentual, é pequena, mas a distância em relação ao início do ano mostra uma mudança relevante: em oito meses, o Norte avançou 1,97 ponto percentual, enquanto o Sudeste teve alta de apenas 0,38 ponto percentual.


