
O senador e candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está sendo investigado pela Polícia Federal desde julho últimom por envolvimento no financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia da trajetória política do ex-presidente e seu pai Jair Bolsonaro (PL). A apuração foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da corporação.
A informação de que Flávio passou a ser alvo pela Polícia Federal foi divulgada nesta sexta-feira (11) e consta nos documentos da investigação do Banco Master tornados públicos pelo magistrado na véspera. O senador é suspeito da prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e “outros delitos correlatos”.
“Autorizo […] a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial”, escreveu Mendonça na decisão.
A Polícia Federal enviou o pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR), que não se opôs à investigação, e repassou a Mendonça, que autorizou a abertura do inquérito. Em meados de maio, áudios vazados à imprensa revelaram que Flávio Bolsonaro cobrou R$ 134 milhões de Vorcaro para a produção, sendo que R$ 61 milhões foram efetivamente pagos.
Flávio Bolsonaro reconheceu a cobrança e disse que se tratou de um financiamento privado para uma produção privada, negando irregularidades. Dias depois, outra apuração apontou que ele visitou Vorcaro após o empresário deixar a prisão pela primeira vez, em novembro do ano passado.
Apuração da Gazeta do Povo com fontes da investigação aponta que o conteúdo mais detalhado deste inquérito segue sob sigilo, e novas fases de operações relativas ao “Dark Horse” podem ser realizadas em breve. A Polícia Federal afirma ter encontrado, em maio, mais conversas de Flávio com Vorcaro.
Uma das frentes de investigação apura a origem, a destinação e a eventual existência de irregularidades nas operações financeiras relacionadas ao filme e qual teria sido o papel do senador nessa articulação.
Na véspera, o ministro Flávio Dino, também do STF, autorizou uma operação da Polícia Federal na investigação sobre o suposto uso irregular de recursos de emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias (PL-SP) para entidades ligadas à produtora de “Dark Horse”. Pelo menos R$ 2 milhões teriam sido destinados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura (ANC), presididas por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up, que rodou o filme.
Sobre esta operação, Mário Frias a classificou como “cortina de fumaça” e com viés político por ter sido autorizada a menos de um mês da eleição.
“Se há alguma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição, cortina de fumaça”, disse o parlamentar, em vídeo divulgado nas redes sociais.
Já Flávio Bolsonaro considerou a operação como uma “armação” e ressaltou, mais uma vez, que não há “absolutamente nada de errado” com o filme. Logo após a revelação dos diálogos com Vorcaro, o senador prometeu apresentar uma prestação de contas detalhada sobre o financiamento de “Dark Horse”, mas nada foi tornado público.
No entanto, o senador nega e afirma que tudo já foi esclarecido e considerou como um assunto encerrado. Ele ainda diz que Dino faz uma “tentativa de interferência política”.
“Pode revirar do avesso, de cima para baixo, de trás para frente, de um lado para o outro, de ponta-cabeça, que não vai ter nada”, completou.


