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Setembro em Flor alerta sobre tumores ginecológicos, o Amazonas lidera o câncer de colo

Com estimativa de mais de 5.500 novos casos de câncer no estado ao ano até 2028, campanha reforça que prevenção e rotina médica salvam vidas.

Durante todo o mês de setembro, a campanha Setembro em Flor ganha força em todo o país para ampliar a conscientização sobre a prevenção, o acompanhamento médico e o diagnóstico precoce de cânceres ginecológicos — tumores que atingem o colo do útero, ovário, corpo do útero, vulva e vagina.

No cenário nacional, os números do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026–2028 apontam uma alta incidência da doença: são esperados, anualmente, 19.310 novos casos de câncer do colo do útero, 9.650 do corpo do útero e 8.020 de ovário.

O peso dos números no Amazonas

A discussão ganha urgência ainda maior no Norte do país. De acordo com as mais recentes projeções do INCA, o Amazonas deve registrar cerca de 5.580 novos casos de câncer por ano até 2028.

Diferente de outras regiões do país, onde o tumor de mama lidera com margem folgada entre as mulheres, o Amazonas se destaca negativamente por liderar a taxa de incidência de câncer de colo do útero no Brasil. Enquanto a média de risco na Região Norte é de 22,79 casos para cada 100 mil mulheres, a prevalência no estado acende o alerta máximo para a necessidade de expansão do rastreamento e da cobertura vacinal nas redes pública e privada.

Doença altamente prevenível

Apesar da alta incidência, o câncer do colo do útero traz uma particularidade crucial: pode ser amplamente prevenido. A principal causa da doença é a infecção persistente por tipos oncogênicos do vírus HPV. Por isso, a combinação entre a vacinação contra o HPV e a realização periódica do exame preventivo (Papanicolau) é fundamental para detectar lesões pré-cancerígenas antes de se tornarem tumores ativos. Quando diagnosticado no início, a chance de cura é extremamente alta.

Para o oncologista Dr. Washington Junior, da Oncológica do Brasil, um dos maiores desafios enfrentados na prática clínica é fazer com que a mulher procure atendimento sem esperar por sintomas aparentes.

“Quando falamos em câncer ginecológico, estamos falando de diferentes doenças e cada uma delas tem suas particularidades. Por isso, o acompanhamento ginecológico regular é tão importante. No caso do câncer do colo do útero, por exemplo, temos ferramentas de prevenção e rastreamento que permitem identificar alterações antes mesmo do desenvolvimento do tumor”, destaca o médico.

Sinais de alerta que não devem ser ignorados

O especialista reforça que qualquer alteração fora do padrão habitual deve ser avaliada por um profissional de saúde de forma imediata. Entre os principais sinais de atenção, estão:

  • Sangramento vaginal anormal (fora do período menstrual ou na menopausa);
  • Dor pélvica persistente ou desconforto constante na região inferior do abdômen;
  • Alterações incomuns no ciclo menstrual;
  • Sangramento ou dor após a relação sexual;
  • Sintomas urinários e intestinais contínuos que não apresentam melhora com tratamentos rotineiros.

“Esses sinais não significam necessariamente um diagnóstico de câncer, mas justificam uma investigação médica detalhada. Quanto mais cedo uma alteração é diagnosticada, maiores são as possibilidades de um tratamento bem-sucedido e com diagnóstico inicial favorável”, conclui Washington Junior.

A campanha Setembro em Flor lembra que cuidar da saúde ginecológica é um ato contínuo de autocuidado. Manter a rotina de exames em dia, investir na imunização contra o HPV e estar atento aos sinais do próprio corpo continuam sendo as melhores armas para mudar as estatísticas da saúde feminina no Amazonas e no Brasil.

Assista à reportagem sobre as projeções do INCA para os casos de câncer no Brasil para entender como a distribuição de recursos e ações de prevenção impactam as estatísticas nas regiões brasileiras.

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