
A seca que atinge a região do Baixo Amazonas começou a provocar impactos diretos na logística de saúde e no abastecimento de água e alimentos das comunidades indígenas. Segundo dados do boletim epidemiológico divulgado em 17 de setembro pelo Distrito Sanitário Especial Indígena Parintins (DSEI PIN), a estiagem atinge 29 das 154 aldeias monitoradas pelo órgão, afetando cerca de 3.150 indígenas no Amazonas e no Pará.
A redução no nível dos rios dificulta o deslocamento das equipes de saúde, exigindo adaptações logísticas constantes. Das comunidades impactadas:
- 20 aldeias estão com o acesso parcialmente comprometido, permitindo a navegação apenas por embarcações de pequeno porte, como rabetas ou barcos com motores de 15 HP;
- 8 aldeias encontram-se em situação severamente comprometida, com o tráfego regular de lanchas da saúde inviabilizado;
- 1 aldeia (Lírio do Vale, em Maués/AM) está totalmente isolada. Os moradores precisam caminhar cerca de 1h30 até a comunidade de Terra Nova para receber atendimento médico, enquanto equipes locais articulam a abertura de uma pista de pouso improvisada para viabilizar assistência aérea.
Além de Maués, registros de isolamento e dificuldades de transporte concentram-se nos municípios de Aveiro (PA) e Barreirinha (AM).

Monitoramento e apoio emergencial
O acompanhamento do nível das águas vem sendo realizado preventivamente desde abril pelas equipes do Núcleo de Monitoramento de Indicadores e Situações de Saúde do DSEI PIN. O objetivo é antecipar gargalos logísticos e traçar rotas alternativas antes do agravamento da seca.
Com o avanço da estiagem, a baixa dos rios passou a comprometer também a segurança alimentar das famílias. Para mitigar o desabastecimento, o DSEI PIN acionou articulações com prefeituras locais, Defesa Civil, Funai, Ministério da Saúde, Sesai e o Ministério do Desenvolvimento Social para garantir o envio emergencial de insumos básicos e manter o suporte médico às populações atingidas.


