
A Prefeitura de Manaus deu um passo decisivo para fortalecer a infraestrutura local contra eventos climáticos extremos. Em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o município realizou a reunião de abertura do Manaus Resiliência, iniciativa pioneira dentro do programa nacional BNDES Cidades Resilientes. Com aporte estimado em R$ 200 milhões — financiáveis por meio do Fundo Clima —, a ação busca estruturar obras permanentes de prevenção em regiões historicamente vulneráveis a alagamentos e erosões.
O plano prevê intervenções prioritárias em quatro localidades estratégicas: os igarapés da Sapolândia, do Mindu e do Franco (na avenida Brasil), além do Parque dos Tucanos. O projeto conta com a condução técnica do Consórcio Engecorps Moyses & Pires-Nippon, responsável por elaborar os estudos e diagnósticos que darão suporte às futuras obras de engenharia.
De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Finanças, Planejamento e Tecnologia da Informação (Semef), Alessandro Ribeiro, a iniciativa atende a demandas urgentes de adaptação climática da capital amazonense, severamente atingida por períodos de estiagem rigorosa e pelo impacto do fenômeno El Niño. Na mesma linha, o presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Antonio Peixoto, ressaltou que a estratégia de “acupuntura urbana” atuará diretamente na requalificação de pontos críticos ocupados irregularmente, mitigando os riscos para as famílias afetadas.
A superintendente da Área de Soluções para Cidades do BNDES, Luciene Machado, destacou que a primeira fase foca na aproximação com a realidade local e na escuta comunitária, combinando engenharia e participação popular para gerar projetos tecnicamente viáveis para captação de investimentos de longo prazo. Entre as soluções previstas estão infraestruturas verdes, intervenções baseadas na natureza e obras de contenção.
Dando continuidade ao cronograma, equipes técnicas da prefeitura, do BNDES e do consórcio realizam vistorias de campo para analisar os gargalos operacionais e validar os diagnósticos iniciais. A fase de estruturação técnica terá duração de nove meses e incluirá mapeamentos hidrológicos, análises socioeconômicas e oficinas de consulta pública com os moradores das áreas impactadas.


