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Fumaça de queimadas faz concentração de poluentes disparar 964% no ar de Manaus em 34 dias

A concentração de partículas finas no ar de Manaus aumentou 964% entre 20 de agosto e 23 de setembro de 2026, segundo a série de medições analisada pela plataforma IQAir. O salto levou a cidade, nessa quarta-feira (23), ao pior nível de qualidade do ar registrado no período analisado, em meio ao avanço das queimadas no Amazonas. Às 8h, Manaus registrava 124,5 microgramas de partículas finas por metro cúbico de ar, índice 24,9 vezes o valor anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O levantamento foi feito a partir do relato de diversos incêndios na Região Metropolitana de Manaus na noite dessa terça-feira, (22).

As chamadas PM2.5 são partículas muito pequenas presentes na fumaça das queimadas e em outras fontes de poluição. Por terem dimensões reduzidas, conseguem chegar às regiões mais profundas do sistema respiratório. Na manhã desta quarta-feira, o índice geral de qualidade do ar chegou a 199 pontos, classificado como insalubre, enquanto o indicador consolidado da cidade alcançou 261 pontos, na faixa considerada muito insalubre.

Aumento de 11,7 para 124,5 microgramas

A dimensão da mudança aparece na comparação com as medições anteriores. Em 20 de agosto, a concentração de PM2.5 registrada em Manaus era de 11,7 microgramas por metro cúbico, quando o índice geral de qualidade do ar estava em 56 pontos. Em 9 de setembro, a concentração havia subido para 37,5 microgramas, com índice de 106 pontos.

Em 17 de setembro, a medição chegou a 80,7 microgramas por metro cúbico, acompanhada de índice de qualidade do ar de 169 pontos. Seis dias depois, nesta quarta-feira, o valor atingiu 124,5 microgramas, o que representa uma alta de 964,1% em relação à medição de 20 de agosto, arredondada para 964%.

A concentração registrada nesta quarta-feira também ficou muito acima do valor anual recomendado pela OMS. O número de 124,5 microgramas corresponde a 24,9 vezes o parâmetro anual da organização, embora a medição de Manaus represente uma fotografia da qualidade do ar naquele momento, e não uma média de um ano.

No ranking nacional da IQAir, Manaus aparecia em primeiro lugar às 8h, com índice consolidado de 261 pontos. Rio Branco, no Acre, registrava 55 pontos, enquanto Brasília aparecia com 53. Nas estações locais da própria plataforma, o Centro de Manaus chegou a 269 pontos e o Parque Dez a 261, ambos na faixa classificada como muito insalubre.

Queimadas avançam no Amazonas

O agravamento da qualidade do ar ocorre ao mesmo tempo em que o número de focos de queimadas aumenta no Estado. Entre 1º e 22 de setembro, o Amazonas registrou 3.240 focos, número superior à média histórica de 3.211 ocorrências para todo o mês e 243,9% acima dos 942 focos registrados em setembro de 2025.

Desde o início do ano até 22 de setembro, foram identificados 5.771 focos de queimadas no Amazonas, colocando o Estado na sexta posição entre os Estados brasileiros com maior número de ocorrências no período. Em todo o País, o levantamento contabilizou 64.419 focos desde janeiro.

Somente entre 21 e 22 de setembro, quatro municípios do Amazonas apareceram entre os dez do País com maior número de focos detectados. Novo Aripuanã registrou 131 ocorrências, o maior número nacional no intervalo, seguido por Manicoré, com 67; Apuí, com 60; e Autazes, com 59.

A própria IQAir mantinha, na manhã desta quarta-feira, um alerta de incêndio ativo em Careiro, município da Região Metropolitana de Manaus. Os dados colocavam a capital em um cenário de forte concentração de fumaça justamente durante a intensificação das queimadas no interior do Estado. Pra se ter ideia, na região do Parque das Tribos, zona Oeste de Manaus, chegou a 300 no IQAir durante a madrugada.

Recomendações de Saúde

Devido aos riscos das partículas PM2.5 — que penetram profundamente no sistema respiratório —, os órgãos de monitoramento orientam a população a:

  1. Evitar a prática de atividades físicas ao ar livre.
  2. Manter portas e janelas fechadas.
  3. Utilizar máscaras de proteção respiratória ao sair de casa.
  4. Usar purificadores de ar ou umidificar ambientes internos.

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