
A produção industrial nacional encolheu 0,6% entre julho e agosto, interrompendo uma sequência de taxas positivas e apontando desaceleração do setor produtivo no segundo semestre. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Industrial Mensal (PIM).
A perda de ritmo no país refletiu o impacto direto de taxas de juros elevadas e do custo do crédito sobre bens de consumo duráveis e bens de capital. Das 25 atividades pesquisadas pelo órgão, mais da metade apresentou resultado negativo em relação ao mês anterior, com destaque para a retração nos setores farmacêutico, de veículos automotores e de produtos têxteis.
Cenário no Amazonas e o impacto no Polo Industrial de Manaus
No Amazonas, os indicadores industriais acompanharam a tendência de queda do país, registrando uma variação negativa superior à média nacional. A perda de dinamismo no estado foi puxada, sobretudo, pelo desempenho do Polo Industrial de Manaus (PIM), afetado por oscilações na demanda nacional por bens eletroeletrônicos e de informática.
Setores vitais para a economia amazonense — como a fabricação de televisores, equipamentos de áudio, ar-condicionado e motocicletas — sofreram com a desaceleração das encomendas das grandes metrópoles das regiões Sul e Sudeste. Além dos fatores de mercado, os gargalos logísticos e os custos do transporte intermodal continuam a exercer pressão sobre o ritmo de escoamento e fornecimento de insumos para as fábricas instaladas na Zona Franca.
Com o resultado de agosto, a indústria amazonense acumula maior volatilidade no ano, exigindo atenção das entidades do setor para as projeções do último trimestre, período que costuma ser aquecido pelas vendas de fim de ano.


