
O crescimento populacional acelerado de Manaus tem imposto desafios complexos para a gestão urbana da capital amazonense. Entre 2010 e 2022, a população da cidade saltou de 1.802.014 para 2.063.689 habitantes — um acréscimo de aproximadamente 262 mil moradores em 12 anos. O cenário exige que novos empreendimentos sejam planejados em alinhamento direto com a infraestrutura, a oferta de serviços públicos e a mobilidade urbana.
Na avaliação do arquiteto e urbanista José Henrique Lanna, diretor da Câmara de Meio Ambiente (CMA) da ADEMI-AM, a prioridade deve ser direcionar o adensamento para áreas estruturadas, evitando que a expansão dispersa encareça serviços básicos como água, esgoto, drenagem, energia, transporte e coleta de lixo.
Custo oculto do espalhamento urbano
A ocupação de terrenos distantes dos centros consolidados, embora pareça financeiramente mais acessível à primeira vista, costuma encarecer a rotina do morador e elevar os custos de manutenção da prefeitura.
- Para a população: aumento significativo nos tempos diários de deslocamento e gastos elevados com transporte.
- Para o município: necessidade de estender redes elétricas, de água e esgoto, além de rotas de transporte coletivo para áreas periféricas.
Lanna destaca que o adensamento populacional precisa respeitar a capacidade instalada de cada bairro. Regiões com infraestrutura pronta podem absorver novas moradias, enquanto áreas sobrecarregadas demandam investimentos antes de receber novos projetos habitacionais.
Requalificação do centro e criação de novas centralidades
Com 55,8% da população vivendo em favelas e comunidades urbanas — cerca de 1,15 milhão de pessoas —, o Censo 2022 evidencia a urgência por habitação de interesse social e requalificação urbana.
Para equilibrar essa balança, duas diretrizes estratégicas se destacam:
- Aproveitamento de vazios urbanos: Reabilitação de imóveis ociosos na malha urbana e na região central, que já contam com acessibilidade e serviços públicos.
- Fortalecimento de policentralidades: Distribuição de polos de comércio, saúde, educação e empregos pelos bairros, reduzindo a necessidade de grandes travessias diárias pela cidade.
“Uma cidade não precisa obrigar o cidadão a atravessá-la todos os dias para resolver a vida. Quando moradia, trabalho, escola, saúde e comércio estão mais próximos, o cidadão ganha tempo e a infraestrutura existente passa a ser melhor aproveitada”, pontua Lanna.
Adequação ao clima e qualidade ambiental
O planejamento dos novos empreendimentos precisa também considerar as características climáticas da Amazônia. Segundo os dados censitários, apenas 44,8% da população urbana de Manaus vive em vias com presença de arborização.
O avanço da densidade urbana deve vir acompanhado de soluções como:
- Calçadas acessíveis e sombreadas para conforto térmico dos pedestres;
- Praças e espaços públicos de convivência;
- Sistemas eficientes de drenagem e preservação das bacias de igarapés.
Conforme conclui o urbanista, garantir uma Manaus mais funcional, conectada e sustentável exige decisões coordenadas entre gestão do solo, meio ambiente, habitação e mobilidade, garantindo o desenvolvimento sem pressionar novas áreas ambientais.


