Fiscalização na Escola Estadual Samuel Benchimol identificou problemas no planejamento das compras e condições inadequadas de higiene na cozinha

A Defensoria Pública do Amazonas (DPAM) identificou problemas no armazenamento e na utilização de materiais didáticos, além de condições inadequadas de funcionamento na Escola Estadual Samuel Benchimol, no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus. A inspeção, realizada nesta sexta-feira (9), integra as ações de fiscalização do Grupo de Trabalho Intersetorial de Defesa da Educação e Cidadania (Gidec).
O defensor público Carlos Almeida Filho, integrante do Gidec, apurou que a escola precisou pedir livros emprestados a instituições vizinhas para suprir a falta de material didático para as turmas do 1º ano do Ensino Fundamental. Ao mesmo tempo, a unidade recebeu várias remessas de livros que permanecem lacrados e sem uso.
Caixas fechadas com livros de atividades também ocupavam a biblioteca e a sala de informática. O material seria utilizado em um projeto de recomposição da aprendizagem, dividido em quatro módulos. No entanto, a capacitação dos professores para trabalhar com os livros só ocorreu em setembro, restando tempo hábil para executar apenas o último módulo.
“Observamos um problema recorrente em outras inspeções: o excesso de livros. Muitos estão encaixotados. Vários foram entregues no início do ano e deveriam ser usados ao longo do ano letivo, mas os professores só receberam o treinamento necessário no mês passado. Haverá desperdício desse material”, detalhou.
Cozinha insalubre
Na cozinha, a falta de climatização compromete o trabalho das profissionais responsáveis pelo preparo dos alimentos dos alunos, que utilizam pequenos ventiladores para amenizar o calor.
Além disso, a equipe técnica da Defensoria identificou que as merendeiras não recebem equipamentos de proteção individual (EPIs) e que não há local adequado para armazenar frutas e verduras frescas.
“As profissionais trabalham em situação de insalubridade e risco. O botijão de gás estava dentro da área, causando medo”, relatou o defensor.
Outro problema é a fossa, instalada ao lado da saída da cozinha, que não tem vedação adequada, permitindo que odores desagradáveis se espalhem pelo ambiente. O sistema de proteção contra incêndio e pânico também apresentou falhas, incluindo a ausência de mangueira.
Evasão escolar
O defensor destaca que o conjunto desses problemas pode contribuir para a queda do rendimento escolar e para a evasão de estudantes, uma das frentes de atuação do Gidec.
Na Escola Estadual Samuel Benchimol, pelo menos 20 alunos estão em situação crítica de faltas. Uma das alunas está há mais de 200 dias sem frequentar a escola e não realizou nenhuma das provas do terceiro trimestre.
“Queremos identificar quais são os gargalos na educação que refletem na piora do ensino. Isso tem sido observado de forma clara, com indícios de problemas relacionados a gastos mal planejados e à ineficiência. Essas situações podem resultar em orientações, recomendações e ações judiciais”, declarou Carlos Almeida.


