De acordo com o Boletim da Defesa Civil, mais de 101 mil famílias foram afetadas.

O estado do Amazonas é o mais atingido pela expansão da estiagem no Brasil, somando mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados afetados em setembro, segundo os dados mais recentes do Monitor de Secas, divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), nesta terça-feira (20). Com a intensificação das condições climáticas adversas, a totalidade do território amazonense passou a registrar algum grau do fenômeno, colocando o estado no topo do ranking nacional em extensão territorial prejudicada.
A severidade no Amazonas integra o agravamento geral observado no ecossistema amazônico e no Norte do país, onde rios e afluentes estratégicos enfrentam vazantes acentuadas que dificultam o transporte de suprimentos e isolam comunidades ribeirinhas.
Panorama Nacional: Expansão no Norte e Nordeste
O avanço registrado no território amazonense impulsionou o crescimento da área total com seca no Brasil, que saltou de 67% em agosto para 75% em setembro. Além do Amazonas (1,5 milhão de km²), os maiores territórios em extensão com registro do fenômeno foram:
- Pará: 1,26 milhão de km²
- Minas Gerais: 579 mil km²
- Bahia: 542 mil km²
- Maranhão: 332 mil km²
Ao todo, 13 estados apresentaram aumento na área afetada no período: Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins. Com essa expansão, dez unidades da Federação alcançaram 100% do território coberto por seca em setembro: Acre, Alagoas, Amapá, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Piauí, Roraima, Sergipe e Tocantins.
Intensificação e Variações Regionais
Em termos de gravidade, o quadro mais severo do país concentrou-se no Nordeste, onde a seca grave saltou de 16% para 28%. No total da região, 96% do território registrou algum nível de seca. Na Região Norte, o percentual afetado por seca grave dobrou, subindo de 4% para 8%, alcançando 94% da área total regional.
Em contrapartida, no Centro-Sul o cenário foi de abrandamento. Estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste viram a porção afetada diminuir, com alívio do fenômeno em Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rondônia e São Paulo. No Sul, favorecido por volumes de chuva acima da média, o território permaneceu completamente livre de seca. A situação permaneceu estável em severidade no Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão e Mato Grosso.
Ações Governamentais e Medidas de Mitigação
Diante do avanço do fenômeno e de seus impactos sociais e ambientais, os governos federal e estaduais têm mobilizado frentes de resposta e contenção:
- Assistência Humanitária e Abastecimento: Envio emergencial de água potável, cestas de alimentos e insumos essenciais para populações isoladas pelo rebaixamento dos rios.
- Manutenção da Navegabilidade: Execução de obras de dragagem e sinalização hidroviária em trechos críticos para assegurar o escoamento de insumos, combustíveis e a mobilidade regional.
- Monitoramento e Defesa Civil: Apoio logístico e financeiro aos municípios afetados, bem como reforço das brigadas de prevenção e combate aos incêndios florestais em áreas de difícil acesso.


