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Fim da escala 6×1 pode elevar folha em R$158 bilhões

A aprovação do fim da escala 6×1 pelo Senado deve colocar uma nova conta no planejamento das empresas brasileiras. Estudo da FecomercioSP estima em R$ 158,4 bilhões o custo adicional sobre a folha de pagamentos em um cenário de redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. A PEC 221/2019 foi aprovada em dois turnos nesta quarta-feira, 14 de outubro, com dois dias de descanso remunerado por semana e sem redução salarial. Promulgado em 16 de outubro, por meio da Emenda Constitucional nº 141/2026, o texto prevê uma transição: a jornada cai primeiro para 42 horas, dois meses após a publicação da emenda, e chega a 40 horas um ano e dois meses após a publicação.

Os efeitos tendem a ser mais relevantes nas atividades que dependem de equipes presenciais e cobertura contínua de horários. Pelos cálculos da FecomercioSP, o setor de serviços concentraria R$ 76,9 bilhões do custo adicional, seguido pela indústria, com R$ 35,9 bilhões, pelo varejo, com R$ 30,4 bilhões, e pela construção civil, com cerca de R$ 9,7 bilhões. A entidade estima ainda que 62% dos trabalhadores formais estão em jornadas entre 40 e 44 horas semanais. Já levantamento do Dieese aponta que a mudança pode alcançar 26,8 milhões de trabalhadores, entre formais e informais.

“Para quem paga o mesmo salário por uma jornada que cai de 44 para 40 horas, o custo da hora de trabalho aumenta cerca de 10%. Isso não significa que toda folha automaticamente crescerá 10%, porque o efeito depende da escala e da produtividade de cada negócio. Mas, se a empresa precisar contratar para manter o mesmo período de funcionamento, o impacto financeiro pode ser bem maior”, explica Fábio Edelberg, CEO da Navecon, empresa especializada em gestão e inteligência contábil, financeira, patrimonial e tributária. 

A mudança exige atenção principalmente de empresas com operações aos fins de semana ou horários extensos, como comércio, logística, restaurantes, hotéis, supermercados e diversos segmentos de serviços. Segundo Edelberg, o primeiro exercício deve ser mapear quantas horas precisam ser cobertas por semana e quanto dessa cobertura hoje depende da sexta jornada de trabalho. 

“A discussão deixa de ser apenas trabalhista e passa diretamente pelo orçamento. É preciso calcular quantas pessoas serão necessárias para manter a operação, quanto isso adiciona à folha e aos encargos e se há espaço para ganho de produtividade antes de simplesmente aumentar o quadro”, afirma.

A transição prevista na PEC dá às empresas pouco mais de um ano para chegar à jornada definitiva de 40 horas, mas a primeira mudança ocorre apenas dois meses após a publicação da emenda. Para o CEO da Navecon, esperar a redução entrar em vigor pode encurtar o tempo para reorganizar contratos, turnos e projeções para 2027. “Empresas que dependem fortemente de mão de obra já deveriam colocar esse cenário no orçamento. Escala, custo por hora, necessidade de contratação, horas extras e produtividade precisam ser simulados juntos. O impacto real vai variar muito de empresa para empresa”, conclui.

Sobre a Navecon

Fundada em 2013, a Navecon é uma empresa focada em gestão e inteligência contábil, financeira, patrimonial e tributária, com sede no estado de Santa Catarina, e atuação em todo o território nacional. A companhia atende atualmente mais de 1.350 empresas com presença relevante em segmentos como indústria, comércio, e-commerce, logística e distribuição. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como uma parceira estratégica para empresas que buscam maior eficiência na gestão de seus recursos e maior segurança nas decisões empresariais.

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