Um estudo recente da Universidade de Oxford publicado na revista Sustainable Cities and Society revelou que Manaus ocupa a 9ª posição mundial em exposição ao calor extremo, entre 205 grandes centros urbanos analisados.

A combinação de altas temperaturas e umidade elevada dificulta a regulação térmica natural do corpo humano. Para mitigar esses efeitos, pesquisadores reforçam a urgência de soluções de planejamento urbano, como a ampliação da arborização urbana, resfriamento passivo e proteção a grupos vulneráveis.
Paralelamente aos desafios climáticos, o estado enfrenta uma crise severa de queimadas. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 2.271 focos de fogo em outubro, um acréscimo de 159,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Embora tenha havido uma retração de 39% na comparação com o pico de setembro (3.726 focos), o cenário de alerta permanece com o registro de 92 novos focos nos dois primeiros dias de novembro.
Essa combinação de calor e fumaça tem impactado diretamente a saúde da população amazonense. Conforme dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-RCP), Manaus contabilizou 993 atendimentos médicos por exposição à fumaça somente no mês de outubro — a maior parte dos 1.219 registros acumulados desde agosto.
Além disso, o estado somou centenas de casos de intoxicação decorrentes da mesma problemática, exigindo atenção contínua das autoridades de saúde e ambientais.
Detalhes Abrangentes:
A pesquisa intitulada “Moving beyond exposure: a globally comparable framework for heat risk assessment in cities”, publicada em 2026 na revista científica Sustainable Cities and Society, avaliou 205 grandes centros urbanos do mundo com mais de 1 milhão de habitantes.
- Exposição Crítica: Manaus atingiu a 9ª posição global na exposição ao calor extremo, registrando pontuação de 0,96 em uma escala de zero a um. O cálculo utiliza o Índice Universal de Clima Térmico (UTCI), que pondera a temperatura do ar, umidade, velocidade do vento e radiação térmica.
- O Fator Umidade: Na capital amazonense, a alta umidade relativa do ar aliada ao calor intenso cria um cenário em que o suor tem grande dificuldade de evaporar. Como essa evaporação é o principal mecanismo biológico para regular a temperatura corporal, o corpo humano sofre muito mais para dissipar o calor, intensificando o desconforto e os riscos cardiorrespiratórios.
- Índice Geral de Risco: Apesar da altíssima exposição (9º lugar), o risco geral de Manaus fica na 27ª posição (pontuação de 0,66) porque a metodologia da Oxford também analisa a vulnerabilidade socioeconômica e a capacidade de enfrentamento da infraestrutura urbana.
- Cenário Nacional: Entre as 11 cidades brasileiras que entraram no mapeamento global, Manaus detém a pior marca de exposição. O ranking nacional de risco térmico geral posiciona capitais como Goiânia (46ª), Belo Horizonte (66ª), Fortaleza (67ª), São Paulo (77ª), Rio de Janeiro (83ª), entre outras. Vale destacar que nove municípios brasileiros figuram entre as 100 primeiras posições globais.
- Soluções Recomendadas: Os autores do estudo defendem medidas de resfriamento passivo, como a forte ampliação da arborização urbana e a criação de espaços sombreados. Eles alertam que depender exclusivamente de aparelhos de ar-condicionado eleva drasticamente o consumo de energia elétrica e agrava o próprio aquecimento global.
2. A Crise das Queimadas no Amazonas
Os dados consolidados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) evidenciam um cenário persistente e preocupante de focos de calor no estado:
- Estatísticas de Outubro: O Amazonas registrou 2.271 focos de queimadas em outubro. Embora tenha havido uma redução de 39% em relação ao pico histórico de setembro (que contabilizou 3.726 ocorrências), o mês representou o segundo pior registro do ano.
- Comparação Interanual: O volume de outubro de 2026 representou um salto expressivo de 159,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
- Escalada Histórica Reciente: A alta nos focos começou a se intensificar fortemente a partir de agosto (2.231 focos, alta de 21,1% em relação ao ano anterior) e atingiu seu ápice em setembro (alta de 295% na comparação anual).
- Início de Novembro: O mês de novembro já abriu em sinal de alerta extremo, acumulando 92 novos focos de queimadas apenas nos dois primeiros dias.
3. Impactos Diretos na Saúde Pública
Divulgados pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), os números refletem o reflexo imediato da fumaça e do tempo seco sobre a população:
- Atendimentos por Exposição à Fumaça:
- O estado acumulou 1.219 ocorrências entre 1º de agosto e 28 de outubro.
- O impacto concentrou-se fortemente em outubro, responsável por 993 atendimentos em Manaus.
- O ritmo alarmante intensificou-se no fim do mês: apenas em uma janela de sete dias (entre 22 e 28 de outubro), a capital somou 458 atendimentos médicos.
- Sintomas Mais Comuns Relatados: Os pacientes buscaram unidades de saúde apresentando tosse persistente, falta de ar, febre, dor de cabeça, dor no peito, coriza, fadiga intensa, irritação severa na garganta, mal-estar geral e episódios de vômito.
- Casos de Intoxicação:
- O boletim oficial de intoxicação por fumaça abrangeu 18 municípios do Amazonas, totalizando 718 casos estaduais no mesmo período de análise.
- Manaus lidera com folga o ranking de intoxicações, somando 670 registros, seguida por Autazes (57), Manacapuru (14), Iranduba (11), Careiro da Várzea (8), Itacoatiara (8) e Borba (4).


