Filme de Orlando Júnior foi escolhido pelo Júri Oficial e também venceu nas categorias Melhor Direção e Melhor Elenco; o diretor integrou equipes de outras duas produções premiadas

O curta-metragem “O Dilema de Antônia”, com roteiro e direção de Orlando Júnior e protagonizado pela atriz Ana Rebouças, conquistou três prêmios na edição 2026 do Prêmio Mostra, durante cerimônia realizada neste sábado (7), no Teatro Gebes Medeiros, no Centro Histórico de Manaus. A produção venceu nas categorias Melhor Curta-Metragem Amazonense pelo Júri Oficial, Melhor Direção para Orlando Júnior e Melhor Elenco. A narrativa aborda o impacto psicológico da violência contra as mulheres.
Na mesma noite, outras duas produções com participação do produtor audiovisual na direção de fotografia também foram premiadas: “Mata-Gato” e “Fantasmas na Floresta”. Juntos, os três filmes somaram sete prêmios.
Para Orlando Júnior, o reconhecimento representa uma oportunidade de ampliar o debate sobre as consequências da violência na vida das mulheres.
“O filme expõe as cicatrizes invisíveis e o estresse pós-traumático coletivo vividos por muitas mulheres. Mostra como a violência real ou o medo constante da violência podem distorcer a realidade, fazendo com que uma mão estendida para ajudar seja vista como um gesto de agressão”, explica o diretor.
“Receber três prêmios com ‘O Dilema de Antônia’, especialmente o de Melhor Curta-Metragem Amazonense pelo Júri Oficial, é um reconhecimento muito importante para todos que participaram dessa produção. É o resultado de um trabalho coletivo, feito por profissionais que acreditaram na história e se dedicaram a contá-la. Essa conquista também nos incentiva a continuar produzindo e a levar o cinema feito no Amazonas para outros públicos”, acrescenta.
Em “O Dilema de Antônia”, a personagem dirige pelas ruas do Centro de Manaus quando seu carro apresenta um problema em uma área deserta. Sem saber como solucionar a pane, ela desce do veículo e percebe a aproximação de três homens.
Dividida entre a necessidade de pedir ajuda e o receio diante de uma situação de vulnerabilidade, Antônia enfrenta um conflito entre o medo, a desconfiança e o instinto de sobrevivência. A partir desse encontro, o curta explora como o estado permanente de alerta pode interferir na percepção de segurança das mulheres e transformar gestos comuns em possíveis ameaças.
“Tenho um sentimento imenso de gratidão e orgulho por fazer parte dessa história e de ter contribuído na construção da personagem Antônia com meus sentidos e expressões”, afirma a atriz.
“Os prêmios não representam apenas o resultado final apresentado nas telas, mas também todo o esforço que existiu por trás delas: as horas de dedicação, os desafios enfrentados, a criatividade e o compromisso de cada integrante da equipe”, destaca.
Antes da premiação, “O Dilema de Antônia” já havia sido selecionado e exibido em mostras nacionais, entre elas o Festival de Cinema de Trancoso e o Festival Taguá de Cinema.
Produção
O elenco reúne Ana Rebouças, Guiduckman, J. Juliano e Max Caracol. Orlando Júnior também assina a montagem do filme, que conta com Thiago Morais como diretor assistente e Murilo Henrique como assistente de direção. Os dois são responsáveis pela direção de fotografia, enquanto Thiago atua como operador de câmera e Andreo Castro, como assistente de câmera.
A direção de produção é de Gricy Gley, com assistência de Uriel Vasconcelos. Brenda Rodrigues assina a direção de arte, com assistência de Thati Porto. Sabine Rosas e Dani Coimbra atuam na assistência de figurino. Fernando Crispim é responsável pelo tratamento de cor, e Orlando Garcia, pela continuidade.
O som direto é de João Victor P e Uriel Vasconcelos, com edição de João Victor P. Uriel também participa como dublê.
A trilha sonora reúne “A Primeira Festa”, de Neuber Uchôa; “Descompensado” e “Tu Já Ficou de Encontro com Teu Próprio Ser?”, de O Tronxo; e “Ponta de Maresias”, da banda Alaídenegão.
Outras quatro premiações na mesma noite
“Mata-Gato” conquistou três prêmios na categoria Suspense/Terror: Melhor Curta-Metragem, Melhor Estética Visual de Curta-Metragem e Melhor Direção, esta última concedida a André Cunha.
A produção também acumula reconhecimentos em outros festivais. No Djanho 2026 – Festival de Cinema de Terror de Curitiba, venceu a categoria Curta Brazuca. Já no Festival Brejo Maldito, em Juiz de Fora (MG), recebeu os prêmios de Melhor Roteiro – Curtas de Fora, Melhor Vilão e Melhor Maquiagem.
“Fantasmas na Floresta” conquistou o prêmio de Melhor Curta-Metragem de Suspense/Terror pelo Júri Popular.
Três décadas dedicadas ao audiovisual
Jornalista, produtor audiovisual e diretor com 32 anos de experiência, Orlando Júnior tem especialização em cinema pela Escola Rizoma e acumula mais de 30 prêmios de Jornalismo nas categorias Melhor Reportagem e Melhor Imagem.
Durante 25 anos, atuou como repórter cinematográfico e supervisor de imagens na Rede Amazônica, além de prestar serviços para a Rede Globo e o canal Amazon Sat. Também foi instrutor da Fundação Rede Amazônica por sete anos, ministrando disciplinas de técnicas de filmagem e fundamentos de câmeras. Atualmente, integra a equipe do programa Paneiro, da Rede Amazônica.
Sua trajetória inclui registros de expedições pela Amazônia, como “Medição Oficial do Pico da Neblina” (2004), “Caminhos de Orellana” (2006) e “Rota Para o Pacífico” (2008). Entre seus trabalhos recentes como diretor está o documentário “Anamã, a Veneza do Amazonas”, lançado em 2024. Também assina a direção de fotografia de “Mawe”, de 2025.
Orlando Júnior é sócio-fundador da La Xunga Produções, empresa com 12 anos de atuação no mercado amazonense, ao lado de Fernando Crispim e Manuella Barros. A produtora trabalha com filmes de ficção, documentários, publicidade, jornalismo, produções institucionais, transmissões ao vivo, shows e videoclipes, além de colaborar com agências de notícias nacionais e internacionais.


