
A polícia amazonense segue nas investigações que levem aos autores das ameaças de morte contra o médico e pesquisador da Fundação de Medicina Tropical e pesquisador da Fiocruz-AM, Marcus Lacerda, que coordena um estudo sobre o uso da cloroquina no Hospital Delphina Aziz no tratamento de pacientes com o novo coronavírus. A pesquisa identificou que a aplicação em altas doses do medicamento pode levar à morte por provocar arritmia cardíaca com grande risco de óbito.
Durante duas semanas de trabalho e monitoramento dos pacientes, o grupo de 70 pesquisadores testou também a redução da dosagem do remédio na pesquisa, em um protocolo próximo ao do Ministério da Saúde, e durante o estudo 69 pacientes saíram da UTI ou receberam alta, outros 11 morreram. A pesquisa ainda segue em fase de conclusão para ser publicada como artigo científico na semana que vem, segundo segundo Marcus Lacerda.
Após o estudo, Lacerda deu entrevistas não recomendando o uso do medicamento porque não havia a comprovação científica da sua eficácia no tratamento da doença devido a alta toxicidade. Os primeiros resultados em Manaus ganharam repercussão nacional, internacional, foram publicados num site médico e a pesquisa virou reportagem no jornal The New York Times.
A partir daí Marcus Lacerda passou a ser atacado nas redes sociais tendo imagens e mensagens ligando como do Partido dos Trabalhadores, levando ele a apagar seus posts no Facebook de cunho político. Ontem (17), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair Bolsonaro, divulgou ataques aos pesquisadores na página dele numa rede social.

Eduardo Bolsonaro escreveu que “o estudo clínico realizado em Manaus para desqualificar a cloroquina causou 11 mortes após pacientes receberem doses muito fora do padrão. Este absurdo deve ser investigado imediatamente”. Eduardo ainda diz que “os responsáveis são do PT. Mas que isso é pura coincidência”, ironizou.
Lacerda não sabe identificar o motivo das ameaças. “Não sei dizer”, afirma ele. “Contra a ciência. Eu sou apenas uma cara. Um rosto”, diz o médico, que está sob proteção 24 horas do Estado.
Segundo o médico e pesquisador que coordena o programa científico CloroCovid-19 no Amazonas, desenvolvido por mais de 70 profissionais da Fundação de Medicina Tropical, Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ele não tem partido político ou ativista:
“Eu apenas votei no PT no segundo turno, como boa parte dos brasileiros. Não ou petista, nem ativista. No primeiro turno votei no Ciro”, disse Lacerda acreditando que a reação violenta “é uma tentativa de explicar resultados que não estão em acordo com o que querem mostrar”.
Abaixo uma das ameaças publicadas em rede social contra o médico infectologista e pesquisador, Marcus Lacerda:



