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“Eram cinco em cima dela”, diz Robinho sobre o estupro

Imagem do artigo: Advogados de Robinho emitem nota: “Há provas suficientes da inocência”
Marisa Alija Ramos e Luciano Santoro, advogados de Robinho

O atacante Robinho vive o seu inferno astral. Depois de ser condenado por estupro na Itália, vir para o Santos, ter o contrato rescindido por pressão dos patrocinadores, atacar a rede Globo e o que considera ‘movimento feminista’, o jogador ainda vai ter de explicar os trechos de inteceptações telefônicas comprometedoras feitos pela justiça italiana e divulgados, ontem (16) pelo Globo Esporte. As escutas fazem parte do processo condenatório do craque.

De acordo com a reportagem, outros quatro brasileiros teriam participado do ato, classificado pela Procuradoria de Milão como violência sexual. Só que eles deixaram o país no decorrer da investigação e estão sendo processados num procedimento à parte.

Entre as gravações telefônicas entre os acusados, autorizadas pela Justiça, uma das mais decisivas para a condenação foi uma conversa em que em determinado momento o jogador demonstra preocupação com a possibilidade de a vítima prestar depoimento. Acompanhe os diálogos:

Falco (atacante Ricardo Falco): Ela se lembra da situação. Ela sabe que todos transaram com ela.
Robinho: tenho certeza que gozou dentro dela.
Falco: Não acredito. Naquele dia ela não conseguia fazer nada, nem mesmo ficar em pé, ela estava realmente fora de si.
Robinho: Sim.

Ainda de acordo com a reportagem, com autorização judicial, a polícia também instalou escutas no carro do jogador na Itália. A sentença diz que “os conteúdos dão pleno conhecimento do que aconteceu”. Uma interceptação mostrou o músico Jairo Chagas, que tocou naquela noite na boate, avisando a Robinho sobre a investigação.

Segundo a transcrição, Robinho respondeu: “Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu”. E completou: “Olha, os caras estão na merda… Ainda bem que existe Deus, porque eu nem toquei aquela garota. Vi (NOME DE AMIGO 2) e os outros foderam ela, eles vão ter problemas, não eu… Lembro que os caras que pegaram ela foram (NOME DE AMIGO 1) e (NOME DE AMIGO 2)…. Eram cinco em cima dela.”

Ainda em janeiro de 2014, Chagas e Robinho voltaram a falar sobre o ocorrido. O diálogo entre os dois transcrito na sentença é o seguinte:

Robinho: A polícia não pode dizer nada, eu direi que estava com você e depois fui para casa.
Jairo: Mas você também transou com a mulher?
Robinho: Não, eu tentei. (NOME DE AMIGO 1), (NOME DE AMIGO 2), (NOME DE AMIGO 3)…
Jairo: Eu te vi quando colocava o pênis dentro da boca dela.
Robinho: Isso não significa transar.

Também há registros de outras conversas entre os amigos do jogador presentes na boate. Um deles é identificado como “Amigo 4”. Ela demonstra preocupação ao saber do início da investigação. “Irmão, tive dor de barriga de nervoso, eu me preocupo por você, amigo”, disse. A resposta de Robinho, segundo a transcrição das gravações, foi: 

“Telefonei a (NOME DE AMIGO 3), e ele me perguntou se alguém tinha gozado dentro da mulher e se ela engravidou. Eu disse que não sabia, porque me recordo que eu e você não transamos com ela porque o seu pênis não subia, era mole… O problema é que a moça disse que (NOME DE AMIGO 1), (NOME DE AMIGO 2) e (NOME DE AMIGO 3) a pegaram com força.”

Em uma outra ligação transcrita no processo, Robinho alega que “não havia prova de que fizemos alguma coisa”. O jogador e Ricardo Falco também combinaram as respostas que dariam à Justiça. Falco comentou que a “nossa salvação” era que não tinha na boate nenhuma câmera que flagrasse eles com a jovem.

Uma gravação telefônica do músico Jairo Chagas mostra ele conversando com uma amiga e a transcrição traz uma frase dela dizendo que “isso é coisa de covarde, pessoas de merda que dão realmente nojo”. Jairo responde que o que aconteceu tinha nome: “se chama estupro”. Mas, diante dos juízes, o músico disse não ter visto cenas de sexo naquela noite.

Reconstituição

Ainda segundo a matéria do Globo Esporte, na reconstituição feita pela Justiça, a vítima contou que foi ao Sio Café, em 21 de janeiro de 2013, para comemorar seu aniversário de 23 anos ao lado de duas amigas. Robinho estava na mesma boate com a esposa e um grupo de quatro amigos.

A violência contra a jovem, de origem Albanesa, teria ocorrido, de acordo com o processo, dentro do camarim usado pelo músico Jairo Chagas. A vítima contou que foi ao local convidada por um dos amigos do Robinho, mas que, por SMS, ele a informou que ela só deveria se aproximar da mesa depois que a mulher do jogador fosse embora. Assim que isso aconteceu, ela e duas amigas se juntaram ao grupo de brasileiros, que depois passou a ter também a presença de Ricardo Falco.

No depoimento, ela contou que os brasileiros ofereceram várias bebidas alcoólicas, mas apenas ela bebia, pois uma das amigas estava grávida e a outra estava dirigindo. Por volta de 1h30 da madrugada, as duas amigas foram embora. Após dançar com os brasileiros, ela contou ter ficado sem ar, tonta e de ter ido para uma área externa da boate, momento em que um dos amigos do jogador tentou beijá-la. Pouco depois, os dois foram para o camarim, onde o mesmo amigo continuou tentando beijá-la.

A vítima admitiu ter apenas “alguns flashes daquela noite”, acrescentando que não tinha condições de “falar” nem de “ficar em pé”. Nessas recordações, ela diz que ficou no local sozinha por alguns minutos e “percebeu” que o mesmo amigo e Robinho estavam “aproveitando” dela.

“Acredito que no início estivesse fazendo sexo oral em [NOME DO AMIGO 3], e Robinho aproveitava de mim de outro modo, e depois eles trocaram de papel, dali não me recordo mais nada porque me encontrei rodeada pelos rapazes, não sabia o que acontecia”, relatou.

Ela ainda afirmou que ouviu Robinho pedir ao amigo uma “camisinha”. E que, ao fim, se lembrou de que começou a chorar e que Jairo apareceu para consolá-la. A vítima também contou que começou a chorar após ter se dado conta do que havia acontecido. A investigação diz que ela deixou a boate carregada pelos brasileiros, primeiro no carro de Robinho e depois no veículo de Ricardo Falco.

O outro lado

Marisa Alija Ramos e Luciano Santoro, advogados de Robinho, emitiram uma nota oficial (leia abaixo na íntegra) após a divulgação de conversas de Robinho por meio de gravações e interceptações telefônicas na reportagem do GE. Segundo eles, há provas suficientes para a inocência não divulgadas na matéria do GE.

“1. O jogador reitera que não cometeu o crime do qual é acusado e que sempre que se relacionou sexualmente foi de maneira consentida;
2. Taxativamente não houve violência sexual tampouco admissão de culpa nas interceptações telefônicas, o que fica claro quando analisadas na integralidade e no contexto correto;
3. Por se tratar de processo sigiloso e ainda em curso, estamos impedidos de falar sobre o mérito das acusações. Entretanto, sobre a divulgação em si, deve ser esclarecido que há nos autos provas suficientes da inocência de Robinho – as quais infelizmente não foram divulgadas na matéria – e outras que ainda serão apresentadas à Justiça italiana, que certamente levarão à sua absolvição. Há diversas conversas interceptadas que não foram corretamente traduzidas para o idioma italiano, o que levou ao equívoco de interpretação.
4. Confiamos plenamente na Justiça italiana, no sucesso do recurso defensivo e na reforma da decisão, conscientes de que a submissão do feito às instâncias superiores permite justamente evitar erros judiciários e condenações injustas.
5. Por fim, Robinho agradece o apoio da torcida do Santos Futebol Clube e, como pai de família e atleta, faz questão de ressaltar que repudia todas as formas de violência”, diz a nota oficial.

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