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Fiocruz-AM diz que variante de Manaus tem 10 vezes mais vírus e espalha rápido

Estudo identificou ainda que essa maior quantidade de vírus não acontece em homens na faixa etária acima de 59 anos

Um estudo feito por pesquisadores da Fundção Oswaldo Cruz (Fiocruz- AM) aponta que adultos infectados pela variante brasileira P.1 do coronavírus, identificada em Manaus têm uma carga viral dez vezes maior do que outras “versões” do vírus e se espalha mais rápido.

A pesquisa ainda não foi revisada por outros cientistas nem publicada em revista, mas está disponível on-line.

Os pesquisadores analisaram 250 códigos genéticos do coronavírus durante quase um ano. A amostragem cobriu o primeiro pico da doença, em abril do ano passado, e o segundo, no final de 2020 e início deste ano.

“[Se] a pessoa tem mais carga viral nas vias aéreas superiores, a tendência é que ela vai estar expelindo mais vírus – e, se ela está expelindo mais vírus, a chance de uma pessoa se infectar próxima a ela é maior”, explica o pesquisador da Fiocruz-AM e líder do estudo, Felipe Naveca.

Eles perceberam que essa maior quantidade de vírus não acontecia, entretanto, nos homens idosos (acima de 59 anos). “Em homens mais velhos, a resposta imune já não consegue responder tão eficientemente, e aí não teve diferença sendo P.1 ou o outro [vírus]”, aponta Felipe Naveca.

Também é possível que isso tenha acontecido nesse grupo porque a quantidade de pessoas analisadas nessa faixa etária foi menor, explicou o pesquisador Tiago Gräf, também autor do estudo, em uma publicação no Twitter.

Naveca afirma, entretanto, que não há relação entre quantidade de vírus no corpo e gravidade da doença ou, até mesmo, presença deles. “Carga viral não está relacionada com gravidade – a gente tem pacientes com alta carga viral e sintomas muito leves ou até sem sintomas”, diz o pesquisador.

A P.1 já vinha sendo apontada por vários pesquisadores ao redor do mundo como mais transmissível, por causa de mutações que ela sofre na região que o vírus usa para infectar as células humanas.

Apesar de ter surgido no Amazonas, ao menos outros 18 estados já detectaram infecções pela variante: os mais recentes foram Mato Grosso e Maranhão.

Relaxamento de restrições aumenta o contágio

Os pesquisadores também apontaram que o espalhamento da P.1 se deu por uma combinação de fatores relacionados ao próprio vírus e ao relaxamento do distanciamento social no Amazonas.

Para o governador do estado, Wilson Lima, “se não houvesse as medidas restritivas severas” o estado não estaria na situação atual de queda de internações e mortes, que passsaram de 200/dia em janeiro.

“Mas estamos acompanhando os números da Fundação de Vigilância em Saúde e da Secretaria de Saúde do Amazonas e podemos voltar atrás, em caso de novas altas do numero de novos casos e internações”, disse Wilson Lima.

“Com a vacinação e as medidas restritivas, em 15 dias podemos colocar o estado em estabilidade”, finalizou.

Os cientistas apontam que as chamadas intervenções não farmacêuticas – como uso de máscaras e distanciamento social – em abril do ano passado foram “suficientemente eficazes” em reduzir a velocidade de transmissão do vírus no estado, mas não em colocar a epidemia sob controle.

Isso permitiu ao vírus sofrer mutações e contribuiu para o surgimento, em novembro, da P.1 – que logo se tornou dominante. As festas de fim de ano, o carnaval podem ter disseminado a variante do vírus nos outros estados brasileiros.

“A falta de distanciamento social eficiente e outras medidas de mitigação provavelmente aceleraram a transmissão precoce da variante enquanto a alta transmissibilidade desta variante alimentou ainda mais o rápido aumento de casos de SARS-CoV-2 e hospitalizações observados em Manaus após seu surgimento”, dizem os pesquisadores do Amazonas.

Com informações do G1

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