
Lei nº 5.306, sancionada pelo governador Wilson Lima e publicada na edição do Diário Oficial do Estado (DOE) do último dia 6, declarou o Abacaxi cultivado em Novo Remanso, no município de Itacoatiara, Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas.
Em junho passado, após um processo criterioso, Novo Remansorecebeu a concessão de Indicação Geográfica (IG) por parte do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O evento reconheceu a localidade como centro produtor de abacaxi no Brasil. O fruto da região é caracterizado por sua doçura única, e que o diferencia de produções de outras áreas do país.
A Indicação de Procedência (IP) para o abacaxi foi publicada na Revista da Propriedade Industrial (RPI) nº 2579 e foi concedida em nome da Associação dos Produtores de Abacaxi da Região de Novo Remanso.
O Novo Remanso é um distrito do município de Itacoatiara (176 quilômetros de Manaus). A concessão indica a origem geográfica de um produto ou serviço. Apenas os produtores e prestadores de serviços estabelecidos no respectivo território podem fazer uso dela como centro de extração com o nome da região de origem da fruta.
Em 2019, o Amazonas produziu 94,3 milhões de abacaxis, segundo dados do Relatório de Atividades Trimestrais do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas (Idam). Desta produção, o Novo Remanso foi responsável por 68,9 milhões de unidades, cerca de 73%. Ainda segundo o relatório, a região possui atualmente uma área plantada estimada em 3 mil hectares e cerca de 1,3 mil produtores rurais trabalhando com a atividade.
Reconhecimento

“Isso (a concessão) estimula o produtor a cada vez mais procurar práticas de manejo adequado para o cultivo do mesmo, porque agrega valor ao fruto e garante qualidade ao consumidor. Enfatizo que este reconhecimento irá valorizar ainda mais a cultura local. Portanto, isso só foi possível porque os produtores usaram técnicas de qualidade, fazendo com que o produto final apresentasse um ótimo sabor e baixa acidez”, comemora o gerente local do Idam, Luciano Vaz.
Já o presidente da Associação dos Produtores de Abacaxi da Região de Novo Remanso (Encarem), Daniel Leandro, diz que o abacaxi do Novo Remanso traz em seu contexto histórico a luta por desenvolvimento, a busca de novas tecnologias, as técnicas de plantio que fizeram toda a diferença para a qualidade, o sabor adocicado com o mínimo de acidez, entre outros fatores.
“Nestes quase 60 anos de história do abacaxi, estas constatações fizeram com que a vida do homem do campo nessa região tivesse um diferencial. É um contexto sócio-histórico de famílias que sobrevivem daquela cultura que hoje é reconhecida por lei, via Indicação Geográfica, para logo em seguida a gente ganhar um novo presente, através do Governo do Estado, que é a lei que declara nosso abacaxi como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial”, afirma Leandro.
O secretário da Sepror, Petrucio Magalhães Júnior, destaca o trabalho e a qualidade desenvolvida para que esse resultado fosse alcançado.
“Que o abacaxi de Novo Remanso é o mais doce do mundo, ninguém contesta. E o governador Wilson Lima, declarou, que esse abacaxi agora é Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas. Isso é fruto da união dos produtores rurais, das associações, das cooperativas, técnicos, que se empenharam para que esse reconhecimento acontecesse. Portanto, valorize o nosso produto, o abacaxi de Novo Remanso”, destacou.


