Empresários de renome recusarem o convite para assumir Indústria e Comércio e Lula, que havia dito que seu vice não seria ministro, teve de voltar atrás

O futuro vice-presidente Geraldo Alckmin será também ministro de Indústria e Comércio. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (22) por Lula que – mês passado disse que ele não seria ministro – teve de voltar atrás, após empresários de renome recusarem o convite para assumir a pasta.
Estudioso de assuntos como reforma tributária, Alckmin tem bom trânsito no setor produtivo e, na avaliação de Lula, pode atuar como um facilitador do diálogo do governo com o mundo industrial.
Nos últimos dias, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, e Pedro Wongtschowski, do Grupo Ultra, foram convidados por Lula para comandar Indústria e Comércio, ministério que será recriado, mas não aceitaram.
Filho do vice-presidente de Lula José Alencar, morto em 2011, Josué é alvo de críticas de um grupo de empresários que quer destituí-lo da Fiesp. Ele disse a Lula que sobreviverá à crise, mas não poderia assumir o ministério como um “derrotado”, pois pareceria “refugiado” dentro do governo.
Em novembro, Lula havia dito que seu vice não seria ministro. Antes disso, em setembro e ainda candidato, o próprio vice-presidente eleito afirmou que não aceitaria um posto na Esplanada dos Ministérios. Na ocasião, seu nome era cogitado para ocupar a pasta da Fazenda.
Lula ficou sem opções fora do círculo de nomes diretamente ligados ao PT e vinha enfrentando dificuldades para indicar alguém do setor para o posto.
Próximo a Lula e filho do ex-vice-presidente José Alencar, Silva recusou o comando da Indústria, em Brasília. Na Fiesp, ele enfrenta uma rebelião promovida por 86 dos 106 sindicatos com poder de voto na entidade. Esse grupo quer destituí-lo da presidência da instituição.
A crise na Fiesp, em grande medida, foi deflagrada a partir de declarações de Silva durante a corrida eleitoral, consideradas simpáticas à candidatura de Lula. Ela se agravou com a decisão do comando da entidade de divulgar uma carta “em defesa da democracia”, em agosto, interpretada como um erro por grande parte dos associados por atrelar o nome da instituição ao petista. O documento, na ocasião, teve apoio de apenas 14% dos sindicatos industriais.
Nesta semana, foi a vez do presidente do conselho de administração do Grupo Ultra, Pedro Wongtshowski, declinar o convite para o novo MDIC. Nesse caso, a negativa estaria associada à falta de convergência entre concepções sobre a gestão do Estado entre Wongtshowski e os núcleos duros dos petistas do novo governo.
Assim, na opinião do economista e consultor Alexandre Schwartsman, Alckmin representa uma solução caseira para solucionar o problema criado em torno do novo ministério.
“E parece-me que, entregue o BNDES na mão de Aloizio Mercadante, ninguém mais quis a pasta”, diz. Para ele, o MDIC perde relevância sem o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


