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Alta do querosene de aviação pode afetar preço das passagens

A Petrobras reajustou o preço do querosene de aviação (QAV). O aumento foi informado às distribuidoras nesta quarta-feira (1). A alta chega a 56,3%. É o caso de Ipojuca (PE), cujo valor por litro passou de R$ 3,46 para R$ 5,4. A menor alta foi de 52%, em Canoas (RS).

A informação foi publicada no site da Petrobras. O reajuste varia de acordo com o polo de venda e a modalidade de contrato. A média nas 13 praças onde a estatal comercializa o produto foi uma alta foi de 54,6% por litro.

O aumento nos preços médios do querosene de aviação pode afetar diretamente os valores das passagens aéreas no Brasil. Ao contrário da gasolina e do diesel, os ajustes nas tarifas do QAV são mensais, definidos por meio de contratos negociados com as distribuidoras.

O aumento nos preços do querosene de aviação vendido para as distribuidoras pode acabar pesando no bolso dos brasileiros que viajam de avião.

Atualmente, pouco mais de 30% das despesas das companhias que atuam no setor estão relacionadas à aquisição de combustíveis e óleos lubrificantes. Com um reajuste de quase 55%, a tendência é a de que pelo menos parte desse custo adicional para as empresas seja repassado aos consumidores, por meio de aumento nos valores das passagens nos próximos meses.

O aumento nos preços do querosene de aviação já havia sido antecipado, na última segunda-feira (30/7), pela Vibra Energia (antiga BR Distribuidora). Trata-se da maior empresa de distribuição de combustíveis e lubrificantes do país. Privatizada em 2021, a Vibra atua com a marca Petrobras em postos de serviço e lidera o mercado de aviação.

O reajuste de quase 55% no QAV é decorrente, entre outros fatores, da escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio, que afetou diretamente os preços internacionais do petróleo – eles fecharam o mês de março em alta superior a 60%, o maior avanço mensal em quase 40 anos, desde 1988.

Apesar de o Brasil ser um grande produtor de QAV, o país ainda importa cerca de quinto de sua demanda doméstica. A Vibra controla a BR Aviation, responsável pelo abastecimento de cerca de 60% das aeronaves em 90 aeroportos do país.

Como o setor aéreo nacional vem operando, nos últimos anos, com margens de lucro muito baixas – principalmente a partir da pandemia de Covid-19, que derrubou as viagens entre 2020 e 2021 e levou as principais companhias aéreas a enfrentarem sérias crises financeiras –, um aumento significativo do QAV não deve ser absorvido totalmente pelas empresas.

Conectividade aérea

Além do eventual aumento nos preços das passagens, a alta de quase 55% do QAV no Brasil pode afetar também a conectividade aérea do país.

Com o aumento de custos, as empresas podem sofrer com uma redução drástica de suas rotas, sobretudo aquelas que atendem regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos.

A Vibra não foi a única distribuidora a anunciar reajuste. Empresas como Air BP e a Raízen, licenciada da Shell, também já informaram que os preços devem subir. A alegação é a de que, com a volatilidade nos preços do petróleo por causa da guerra, fica cada vez mais difícil definir valores estáveis para o QAV.

Os preços do QAV, no Brasil, seguem uma paridade internacional – o que significa que as oscilações no mercado global de petróleo impactam diretamente os valores praticados no país.

Preocupado com o possível aumento nos preços dos combustíveis no Brasil, o que pode afetar as passagens aéreas, o governo federal vem estudando possíveis medidas para reduzir o peso desses reajustes sobre o bolso dos brasileiros em pleno ano eleitoral.

Entre as propostas que já foram especuladas, estão zerar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre companhias aéreas e reduzir as alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível. Até o momento, porém, nada foi definido.

Querosene de aviação

O querosene de aviação é o combustível que abastece aviões e helicópteros dotados de turbina a jato e turboélices. Seu principal uso é no transporte aéreo comercial.

O QAV produzido nas refinarias é vendido pela Petrobras apenas para as distribuidoras, que transportam e comercializam esses produtos para empresas de transporte aéreo ou para revendedores.

As distribuidoras e os revendedores são os responsáveis pelas instalações nos aeroportos brasileiros e pelos serviços de abastecimento.

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