Chefe de sustentabilidade do banco diz que instituição analisa projetos na região.

Amazônia tem vocação natural para abrigar iniciativas de bioeconomia e o BNP Paribas está de olho nesse potencial. Segundo a chefe de sustentabilidade do banco francês no Brasil, Katerina Trostmann, existe toda uma complexidade em efetivar projetos que deem uma guinada maior na estrutura econômica em torno da região, mas já há várias ideias e tentativas sendo gestadas.
“Estamos inseridos em conversas com entes federativos e estaduais sobre bioeconomia e também com clientes. É uma pauta que faz muito sentido para o Brasil. Como extrair o máximo valor possível da floresta com tecnologia de ponta sem precisar derrubá-la”, disse Trostmann em entrevista ao Valor. “Meu sonho é poder contribuir de alguma forma com a reflorestação da Amazônia em escala. Então, estou procurando projetos, conversando com clientes e outros parceiros nessa linha para poder identificar isso”, acrescentou.
De acordo com a chefe de sustentabilidade do BNP Paribas, a missão é difícil, mas existe no mundo um precedente que serve como inspiração: o projeto realizado na Indonésia chamado “Tropical Landscapes Finance Facility” (TLFF).
Trata-se de iniciativa que promove financiamento e levantou capital para investir na produção sustentável de borracha, um produto que historicamente representa, ao mesmo tempo, a atração de recursos financeiros e a exploração ambiental e social para o país do sudeste asiático.
Projeto vai auxiliar a identificação de madeira de desmatamento na Amazônia
Um projeto da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em parceria com a Embrapa Florestas e a Superintendência da Polícia Federal do Amazonas, visa solucionar até o ano de 2024 um dos maiores problemas no combate do desmatamento na Amazônia: a identificação da madeira. A iniciativa pretende desenvolver um banco de dados com registro das espécies florestais envolvendo técnicas de genotipagem e a criação de indicadores climáticos.
O projeto “Indicadores relacionados às ameaças climáticas e medidas para minimizar os impactos de desmatamento na conservação de espécies florestais da Amazônia – ClimAM” pretende fortalecer a fiscalização do desmatamento ilgeal na região através de um mapeamento das principais espécies de vegetação da área, com informações sobre características genéticas e atributos ambientais.
Os dados poderão ser usados pela Polícia Federal do Amazonas e o Ibama na identificação da origem da madeira apreendida e na fiscalização de áreas mais visadas para o desmatamento ilegal. Além do novo projeto, a Polícia Federal conta ainda com um moderno sistema de vigilância da Amazônia, o sistema Planet, que monitora e identifica as áreas de desmatamento em tempo real.
De acordo com a Embrapa Florestas, a delimitação e mapeamento das populações será feita por meio de técnicas de genotipagem e análises de isótopos. Equipamentos de auxílio ao projeto, como TXRF e aparelho de isótopos, serão as principais ferramentas para concluir todo o mapeamento do projeto.https://07ed3283cce0803ae0ec191f546e9257.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html
“O desmatamento ilegal na floresta amazônica é um problema que vai além das fronteiras do Brasil. Considerando que a Amazônia compreende mais de 40% do território brasileiro, a fiscalização não é uma tarefa fácil, precisando de suporte para o seu fortalecimento”, explica o pesquisador Marcos Silveira Wrege, da Embrapa Florestas, em comunicado.
O desenvolvimento de ferramentas que combatem o número cada vez maior de extração ilegal na Amazônia, é de extrema importância para o desenvolvimento climático do planeta. Os pesquisadores da Embrapa Floresta pontuam que: a conservação das espécies florestais da é fundamental para reduzir os riscos relacionados às seguranças hídrica, energética e alimentar nacionais, além de colocar o Brasil em consonância com as metas de Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostas pela Organização das Nações Unidas (ONU).


