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Após 2,6 mil mortos no Irã, Brasil fala em soberania

Repressão da Guarda Republicana do governo aos protestos atira para matar manifestantes; entre os mortos 12 crianças

A repressão ao movimento de protesto no Irã já resultou, até o momento, em 2.571 mortos — entre eles 2.403 manifestantes, 147 pessoas ligadas ao governo, além de 12 crianças e nove civis que não participavam das mobilizações. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (14) pela ONG de defesa dos direitos humanos HRANA, sediada nos Estados Unidos.

As estimativas podem, porém, ser muito maiores. Segundo investigações publicadas pelo Iran Human Rights Documentation Center, o número de mortos pode chegar a 12 mil pessoas, resultado de operações realizadas em diversas cidades iranianas. A organização afirma ainda que grande parte das vítimas tinha menos de 30 anos, incluindo estudantes.

O contexto interno segue marcado por forte censura. Há sete dias, o país enfrenta um apagão quase total de internet, dificultando o acesso a informações e a confirmação do número real de vítimas.

Mesmo assim, relatos continuam a surgir. Siavosh Ghazi, correspondente da RFI em Teerã, afirma que em comparação com os movimentos dos últimos dez anos — quando houve manifestações contra o custo de vida, contra o aumento do preço da gasolina, e após a morte de Mahsa Amini, detida por uso inadequado do véu islâmico — desta vez observa-se uma mudança e uma radicalização do movimento, com slogans políticos fortes a favor de um retorno da monarquia e da dinastia Pahlavi, além de críticas muito duras contra o regime teocrático atual.

Nota

Diante do cenário de caos no Irã, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro divulgou, nesta terça-feira (13), uma nota protocolar em que afirma que o Brasil vê “com preocupação” a evolução dos protestos no Irã, registrados desde o dia 28 de dezembro.

O governo do Brasil também diz no documento que “cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país”, ignorando que o governo teocrata programaou para hoje (14) o enforcamento de um dos manifestantes. Ao mesmo tempo, o Itamaraty reforça o princípio da soberania nacional, como fez na situação recente na Venezuela. Vale destacar que o Governo Lula é aliado do governo dos aiatolás do Irã.

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