
Walter Delgatti Neto, preso na Operação Spoofing, chega à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília
Foto: Mateus Bonomi/Folhapress
Após ouvir os presos em audiência de custódia nesta terça-feira (30), o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, decidiu manter a prisão dos quatro investigados por suposto envolvimento na invasão de celulares de autoridades do país, incluindo o ministro da Justiça, Sergio Moro.
Gustavo Santos, Suelen Priscilla de Oliveira, Danilo Marques e Walter Delgatti Neto, conhecido como Vermelho, vão continuar detidos até quinta-feira (1º/8), quando se encerra o prazo da prisão temporária, renovada na sexta-feira (26).
“É preciso verificar se motivos que fundamentaram minha decisão de prisão persistem. Vou indeferir por enquanto”, afirmou o magistrado
Maus-tratos
Após audiência, com os quatro presos na Operação Spoofing, suspeitos de invadir celulares de autoridades o Ministério Público Federal (MPF) no Distrito Federal pediu instauração de inquérito para apurar os relatos de maus-tratos e se houve crime de abuso de autoridade.
O juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal do DF, negou o pedido, mas concedeu a cópia dos depoimentos prestados, para que o MPF possa estudar um novo pedido. O magistrado também manteve a prisão temporária dos quatro suspeitos, que termina no próximo dia 1º — exceto se houver um novo pedido de prorrogação.
Agressões verbais e psicológicas foram descritas por Gustavo Henrique Santos e Suelen Priscila Oliveira, casal preso em São Paulo. Além disso, eles e os outros dois presos, Walter Delgatti Neto e Danilo Marques, alegaram que viajaram algemados de São Paulo a Brasília, o que vai contra as regras do Supremo Tribunal Federal.
O juiz Vallisney justificou que seria apressado autorizar neste momento a abertura do inquérito e autorizou apenas o envio da cópia. De posse dos depoimentos, a Procuradoria vai avaliar um eventual pedido de instauração de inquérito por abuso de autoridade.
A procuradora Márcia Brandão também pediu o envio do material à corregedoria da Polícia Federal para que investigue possível má conduta de policiais no caso.
Nesta segunda-feira, o MPF prorrogou por noventa dias, até outubro, a investigação sobre os quatro presos pela invasão de celulares de autoridades, entre elas o ministro Sergio Moro (Justiça) e o presidente Jair Bolsonaro (PSL). O pedido de prorrogação foi feito pela Polícia Federal antes da prisão, no dia 23 de julho – por isso, não precisou de autorização judicial.
Organização Criminosa – Os suspeitos foram presos pela Polícia Federal operação spoofing, expressão relativa a um tipo de falsificação tecnológica, que procura enganar uma rede ou uma pessoa, fazendo-a acreditar que a fonte de uma informação é confiável quando, na realidade, não é.


