
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve sua prisão domiciliar transformada em fechada e levado para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A PF pediu sua preventiva a Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, alegando que uma vigília pedida por seu filho, senador Flávio Bolsonaro, poderia significar um fisco de fuga para uma embaixada na capital federal.
Bolsonaro estava em casa onde cumpria prisão domiciliar, no Jardim Botânico, bairro de alto padrão no Distrito Federal. Ele foi levado pelos agentes à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
A prisão é preventiva não representa o início do cumprimento da pena do ex-presidente, condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes como suposta tentativa de golpe de estado.
A defesa do ex-presidente diz não saber o motivo da prisão preventiva. Uma das hipóteses para o pedido da Polícia Federal é tentativa de atrapalhar o cumprimento da eventual pena, como a movimentação do filho Flávio Bolsonaro de fazer uma espécie de “vigília” para o pai.
Ele cumpria prisão domiciliar desde 4 de agosto e usava tornozeleira eletrônica, mas por outro caso: o inquérito no qual o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, é investigado por sua atuação junto ao governo dos Estados Unidos para promover sanções a autoridades brasileiras.
Jair Bolsonaro foi condenado pro STF em 11 de setembro, pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou uma sessão extraordinária na Primeira Turma da Corte para referendar a decisão que embasou a prisão preventiva de Jair Bolsonaro na manhã deste sábado (22). Os integrantes do colegiados vão analisar a partir de segunda-feira, de forma virtual, a ação. Ela poderá ser mantida ou revogada. A Primeira Turma é formada por Flávio Dino (presidente), Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.
“O Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou a esta Suprema Corte a ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico do réu Jair Messias Bolsonaro, às 0h08min do dia 22/11/2025. A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”, diz trecho da decisão de Moraes.
Na decisão, Moraes especulou que “embora a convocação de manifestantes esteja disfarçada de ‘vigília'”, a conduta indica o mesmo “modus operandi da organização criminosa liderada pelo referido réu, no sentido da utilização de manifestações populares com o objetivo de conseguir vantagens pessoais”.
“O tumulto causado pela reunião ilícita de apoiadores do réu condenado tem alta possibilidade de colocar em risco a prisão domiciliar imposta e a efetividade das medidas cautelares, facilitando eventual tentativa de fuga do réu”, sugere Moraes que disse ainda que Bolsonaro mora a 15 minutos de carro da embixada do EUA e poderia fugir para lá.
De acordo com a investigação, Bolsonaro voltou a apresentar comportamentos que reforçam o risco de fuga, elemento que já havia sido citado por Moraes em decisões anteriores, quando o ministro determinou vigilância permanente e restringiu visitas ao ex-presidente. A PF não divulgou se foram os agentes que mantém vigilância na casa de Bolsonaro se notaram alguma movimentação estranha.
Relatórios encaminhados pela PF indicam que, mesmo proibido de manter articulação política, Bolsonaro continuou a se comunicar por intermédio de aliados, incentivou mobilizações e manteve contatos com investigados nos inquéritos que apuram a tentativa de ruptura institucional.
A corporação também apontou que uma vigília organizada por apoiadores na porta do condomínio onde Bolsonaro mora em Brasília foi interpretada como tentativa de criar ambiente de instabilidade e pressão institucional, o que, segundo os investigadores, ameaça a ordem pública. Esse contexto pesou na decisão de Moraes, que já havia advertido o ex-presidente sobre o uso político de sua condição de réu e sobre a necessidade de observar rigorosamente as medidas impostas pelo STF.
A prisão preventiva se soma ao quadro de condenação de Bolsonaro, sentenciado em setembro a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes relacionados ao golpe de 8 de janeiro e ao planejamento para impedir a transição democrática.
Nesta sexta (21), defesa alegou que o ex-presidente enfrenta problemas de saúde e deveria permanecer em regime mais brando, o Supremo entendeu haver elementos suficientes para impedir que ele continuasse em liberdade enquanto responde aos processos.
Bolsonaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde passará por exame de corpo de delito e aguardará a realização da audiência de custódia. A defesa ainda pode apresentar recurso para tentar reverter a prisão.


