Segundo a Transparência Internacional, a impunidade é generalizada no país, que repetiu a segunda nota mais baixa da série histórica

A ONG Transparência Internacional vê um cenário de “estagnação” brasileiro no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2025. No ano passado, o Brasil repetiu a segunda pior nota (35 pontos, numa escala de 0 a 100) da série histórica iniciada em 2012 e continuou na 107ª posição, entre 182 países e territórios, no levantamento elaborado pela organização.
O Brasil subiu um ponto com relação a 2024, uma variação considerada “estaticamente insignificante” pelos elaboradores do indicador. Na escala do IPC, quanto menor for a nota, maior é a percepção de corrupção.
O índice é formado com base em até 13 indicadores independentes que avaliam a percepção de especialistas, pesquisadores e executivos sobre comportamentos corruptos no serviço público e mecanismos de prevenção desta prática criminosa. No caso brasileiro, foram considerados oito indicadores, assim como em 2024.
A série histórica mostra que o Brasil pontuou melhor no ano inaugural e em 2014 (com 43 pontos). Já o pior desempenho foi registrado em 2024 (34 pontos).
Nota brasileira no IPC
| Ano | Nota |
| 2012 | 43 |
| 2013 | 42 |
| 2014 | 43 |
| 2015 | 38 |
| 2016 | 40 |
| 2017 | 37 |
| 2018 | 35 |
| 2019 | 35 |
| 2020 | 38 |
| 2021 | 38 |
| 2022 | 38 |
| 2023 | 36 |
| 2024 | 34 |
| 2025 | 35 |
Fonte: Transparência Internacional
O diretor executivo da Transparência Internacional – Brasil, Bruno Brandão, afirma que a estagnação ocorre no país mesmo que o Brasil tenha chamado a atenção mundial no ano passado pela resposta “firme” do Supremo Tribunal Federal (STF) na responsabilização do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“O Brasil também chocou o mundo com casos de macrocorrupção em escala inédita, como INSS e Master, impunidade generalizada mesmo para corruptos confessos e condutas desmoralizantes de ministros do próprio STF”, avalia Bruno Brandão.
A ONG aponta que, há dez anos, o Brasil está estagnado abaixo da média global dos países. O IPC 2025 posiciona o país abaixo da média das Américas (42 pontos) e da média das 182 nações (42 pontos).
Na avaliação de Brandão, os Três Poderes brasileiros têm contribuído para a estagnação brasileira no IPC.
- Brandão afirma que, embora o Planalto “tenha promovido avanço importante no uso de inteligência financeira para o combate à lavagem de dinheiro associada ao crime organizado”, o governo Lula “também falhou muito, permitindo a captura de agências regulatórias e estatais, além de manter a barganha política baseada na farra das emendas”.
- O diretor-executivo aponta que o Congresso, por sua vez, aprovou medidas “não para fortalecer, mas para debilitar o combate à corrupção, como o afrouxamento da Lei da Ficha Limpa, enquanto as emendas não param de se agigantar”.
- Já o STF, segundo Brandão, “teve papel importante tentando estabelecer transparência e algum controle às emendas, mas continua garantindo impunidade generalizada a casos de macrocorrupção, inclusive confessos, ao mesmo tempo em que os próprios ministros aparecem com vínculos altamente suspeitos a empresas corruptas com casos na Corte”.
Ranking Mundial
Os melhores classificados em 2025 foram Dinamarca (com 89 pontos), Finlândia (88 pontos) e Cingapura (84 pontos). Os piores, por sua vez, foram Somália e Sudão do Sul (ambos com apenas 9 pontos) e Venezuela (com 10 pontos).
Pontuaram próximos ao Brasil Sri Lanka (também com 35 pontos); Argentina, Belize e Ucrânia (36 pontos, um a mais); e Argélia, Bósnia e Herzegovina, Indonésia, Laos, Malawi, Nepal e Serra Leoa (todos com 34 pontos, um a menos). Em 2025, dois novos países — Brunei e Belize — foram incluídos no ranking do IPC, ambos posicionados acima do Brasil.


