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Brasil na OPEP+ faz discurso ambiental de Lula ser questionado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, neste sábado (2), que o Brasil vai aceitar o convite feito pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+) para se tornar um dos “aliados mais próximos” do grupo, a partir de janeiro de 2024.

Segundo ele, a atuação do governo brasileiro será para convencer as nações produtoras de petróleo a investir em fontes de energia renováveis.

O uso de combustíveis fósseis, principal vilão da emissão de gases do efeito estufa a nível global, tem sido duramente criticado durante a conferência. E o Brasil está pressionado por fechar acordos com países que investem em combustíveis fósseis enquanto o presidente discursa pela transição energética.

Lula frisou que a adesão funcionará de forma semelhante à participação do presidente brasileiro nas cúpulas do G7. “Eu vou lá, escuto, só falo depois que eles tomarem a decisão e venho embora. Não apito nada”, argumentou.

A medida, anunciada pelo petista durante a Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP28), foi considerada um “retrocesso” por ambientalistas. A avaliação é que o discurso do presidente na conferência não se reflete em ações efetivas para a transição energética no Brasil.

“É inaceitável que o mesmo país que diz defender a meta de limitar o aquecimento global em 1,5 ºC, agora esteja anunciando o seu alinhamento ao grupo dos maiores produtores de petróleo do mundo”, argumenta o diretor de programas do Greenpeace Brasil, Leandro Ramos.

Na visão do ambientalista, anunciar a entrada do Brasil na organização em pleno ano de 2023, “enquanto deveríamos estar preocupados em acelerar a transição energética do país e criar planos para eliminar os combustíveis fósseis progressivamente, é uma decisão completamente equivocada e perigosa”.

Olhar além do desmatamento

O Brasil chegou à COP28 com uma meta ambiciosa, mirando em construir pontes e se consolidar como uma potência ambiental, a partir da “liderança pelo exemplo”, com foco na COP30, sediada em Belém (AM). Entre os principais avanços desde o início do governo, o Brasil reduziu em 48% os índices de desmatamento nos primeiros oito meses do ano.

A redução significativa nos números do derrubada das florestas, bem como as políticas públicas voltadas para a defesa dos povos indígenas e outras comunidades tradicionais representa preocupação do governo com a queda na emissão de gases do efeito estufa.

Durante a COP28, a ministra Marina Silva apresentou, na sexta-feira (1), uma proposta para ampliar o financiamento destinado à proteção das florestas. A iniciativa prevê a criação de um fundo para captar investimentos a partir do número de hectares preservados.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que o governo também está estruturando um plano de transição ecológica, focado em investimentos e incentivos do governo direcionados para fontes de energia renováveis. A medida, no entanto, ainda não tem metas detalhadas.

Os avanços, segundo Ramos, ainda não são suficientes para fazer frente à atual situação de emergência climática.

“Não basta apenas se comprometer em zerar o desmatamento, o governo brasileiro precisa se posicionar contra os combustíveis fósseis se quer assumir um papel de liderança climática mundial. Essa incoerência poderá colocar em xeque a sua posição para cobrar metas mais ambiciosas dos países desenvolvidos e custará caro à política climática brasileira”.

Do Metrópoles em Dubai*

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