
Convocado pela Seleção Brasileira em 2019 e um dos principais atacantes do Flamengo, Bruno Henrique por pouco não vestiu a camisa do Manaus FC, que subiu este ano para a Série C do Campeonato Brasileiro. Há seis anos, o craque rubro negro foi descartado pelo time amazonense por causa de R$ 200.
Recém fundado e disputando a Série B do campeonato local, o Manaus FC teve a chance histórica de ter Bruno Henrique entre os seus jogadores. O jovem de então 22 anos tinha feito poucos jogos como profissional pelo Uberlândia-MG no módulo II do campeonato Mineiro. Após o fim do torneio, em maio, o Verdão, mesmo sem o acesso, manteve a base para 2014.
Dois jogadores daquele elenco, portanto, foram emprestados ao Gavião do Norte, que foi campeão da divisão de acesso, iniciada quatro meses após o término do módulo II do Mineiro, em setembro. Bruno seria o terceiro reforço, mas o pedido salarial ficou acima do teto. O Manaus estipulou R$ 1 mil por atleta. A então promessa, segundo a diretoria, cobrou na época R$ 1,2 mil.
– Havia um gerente, o Ângelo (Márcio), que é de Minas e na época dirigia o Uberlândia. Trouxemos alguns jogadores daquela área, e o Bruno Henrique estava nessa relação de jogadores. Na época, tínhamos uma folha salarial que orbitava em torno de R$ 1 mil por cada jogador. Era só a Série B do Amazonense. Ali deixamos de trazer o Bruno Henrique por questão de R$ 200. Ele queria R$ 1,2 mil e nós só podíamos oferecer R$ 1 mil – contou o então presidente e atual presidente de honra do Manaus, Luis Mitoso.
Se recusou sair do teto salarial para contratar um desconhecido Bruno Henrique, por outro lado o Manaus optou, na época, pelo empréstimo de dois reforços mais rodados no futebol brasileiro: o zagueiro Jalnir e o lateral Edvan, ambos do Uberlândia. O clube que se tornaria campeão dois meses depois contou com 27 jogadores e conquistou o título com 100% de aproveitamento.
– Terminou a segunda divisão, no primeiro semestre de 2013, e os jogadores ainda tinham vínculo com o Uberlândia, que disputaria de novo o módulo II do Minero em 2014. O Ângelo emprestou dois jogadores, mas, depois que tínhamos fechado todo o elenco, ele ofereceu o Bruno, que até queria vir. Era novo, não conhecia Manaus. Eu quase tirei a passagem, mas, por ser uma Série B, avaliamos que o time em nossas mãos já era o bastante. Ai preferimos deixar lá. São coisas do futebol – disse o então vice-presidente e atual presidente do clube, Giovanni Alves.
O gerente do Uberlândia citado pelos presidentes do Manaus, Ângelo Márcio, atualmente integra a diretoria do próprio Gavião do Norte. Assim como Welington Fajardo, que se na época era o técnico do Alviverde do Triângulo, este ano levou o clube amazonense ao tricampeonato e vice da Série D. A aliança entre os clubes, portanto, é de outras épocas.
Bruno Henrique “apareceu” para o futebol nacional com a camisa do Goiás, em 2015. Foram sete gols no Brasileirão daquele ano. O time foi rebaixado, mas o atleta foi uma das revelações da competição e acabou se transferindo para o Wolfsburg. Depois voltou para o Brasil e passou as últimas duas temporadas no Santos, quando brilhou mais em 2017, até que acertou com o Flamengo no início de 2019.


