Levantamento mostra que a capital amazonense tem os maiores tempos médios de deslocamento entre os municípios da Região Metropolitana de Manaus.

Em Manaus, 32% dos trabalhadores gastam entre meia hora e uma hora para chegar ao trabalho, segundo dados do Censo Demográfico 2022, divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Outros 20% levam de uma a duas horas no trajeto diário.
O levantamento mostra que a capital amazonense tem os maiores tempos médios de deslocamento entre os municípios da Região Metropolitana de Manaus, que inclui cidades como Manacapuru, Itacoatiara, Presidente Figueiredo, Careiro da Várzea, Novo Airão e Rio Preto da Eva.
O IBGE considera o tempo gasto entre o domicílio e o local do trabalho principal, desconsiderando paradas intermediárias, como levar filhos à escola ou fazer compras.
Nos casos em que o trabalhador sai de outro local, como a faculdade, o tempo considerado é o do retorno para casa. As informações se referem à semana de 25 a 31 de julho de 2022 e abrangem apenas quem se desloca pelo menos três vezes por semana até o trabalho.
Na capital amazonense, 27% gastam de 15 a 30 minutos no trajeto, 12% de 6 a 15 minutos e apenas 5% chegam ao trabalho em até cinco minutos. 2% dos trabalhadores afirmaram gastar entre duas e quatro horas no deslocamento.
Nos municípios vizinhos, que compõem a Região Metropolitana, o tempo de deslocamento costuma ser menor.
Confira:
- Itacoatiara: 19% gastam até cinco minutos e 4% mais de uma hora;
- Novo Airão: 28% até cinco minutos e 4% mais de uma hora;
- Careiro da Várzea: 14% até cinco minutos e 15% mais de uma hora;
- Rio Preto da Eva: 16% até cinco minutos e 9% mais de uma hora.
- Presidente Figueiredo: 16% até cinco minutos e 7% mais de uma hora.
- Manacapuru: 18% até cinco minutos e 5% mais de uma hora.
Transporte mais usado na região
O Censo 2022 também investigou, pela primeira vez, o principal meio de transporte usado pelos trabalhadores no trajeto até o emprego.
Na Região Norte, a motocicleta é o meio mais utilizado, com 1,2 milhão de pessoas (28%), seguida por:
- Automóvel: 969 mil (21%);
- Deslocamento a pé: 734 mil (16%);
- Ônibus: 697 mil (15%).
Segundo Mauro Sérgio Pinheiro dos Santos de Souza, analista do Censo 2022 – Deslocamento para Estudo e Trabalho, o uso predominante do carro e da moto é reflexo de uma opção histórica pela rodovia e da falta de transporte público eficiente.
“A prevalência do automóvel em relação aos outros meios de transporte é reflexo de uma opção histórica pelo carro e pelas rodovias como meio de integração das cidades brasileiras. (…) Há também um descompasso entre a oferta de transporte público e o crescimento urbano — as cidades crescem mais rápido do que o poder público consegue oferecer infraestrutura”, afirmou o analista.


