Irmãos faturam R$200 mil em benefícios do INSS com documentos falsos em Manaus

A Polícia Federal apura na Operação Acta Passio, de combate a fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), se os documentos usados para obtenção dos benefícios foram expedidos em mutirões no interior do estado. Ao todo foram 16 benefícios concedidos, com pagamentos que somam R$ 200 mil.
As fraudes foram descobertas pelo Núcleo de Inteligência da Previdência Social a partir de análise de pedidos de benefícios com inconsistências. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão. Um veículo foi apreendido comprado por um dos investigados com dinheiro obtido com os benefícios fraudados.
O delegado Diego Barroso que comanda as investigações disse em entrevista coletiva nesta quinta-feira (29) que dois irmãos são os principais suspeitos .
De acordo com ele, somente a partir das investigações dos documentos apreendidos será possível identificar se há participação de terceiros.
“Os documentos são verdadeiros, mas com nomes inventados, de pessoas que não existem, a partir de variações com os primeiros nomes dos investigados”, disse o delegado. “Onde está a falha é o que vamos investigar. Vamos aguardar os depoimentos para saber”, acrescentou.
Barroso afirmou que os documentos sempre o mesmo nome dos investigados – não revelou as identidades -, mas com variações no sobrenome. “Além do crime previdenciário, ele cometeu estelionato”, disse.
Os pagamentos foram suspensos e depois cancelados. Diego Barroso disse que se não fossem identificadas as fraudes, o prejuízo estimado chegaria a R$ 1,5 milhão.
De acordo com Barroso, às vezes as pessoas chegam nos mutirões previdenciários, civis ou eleitorais, realizados no interior, dizem que perderam os documentos, informam a data de nascimento, e novos são expedidos.
“Não vamos descartar possibilidades. Vamos investigar se eles faziam [a fraude dos documentos] na residência ou não, se eles compravam ou não”, disse o delegado.
O nome da operação, Acta Passio, remete aos irmãos gêmeos Cosme e Damião, santos da igreja Católica. Os investigados foram intimados a depor. A investigação começou em 2020.


