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Conselho do São Paulo aprova impeachment do presidente Julio Casares

Em votação realizada no Morumbis nesta sexta-feira (16), o Conselho Deliberativo do clube aprovou o impeachment do presidente do São Paulo, Julio Casares, 54 anos, que deixa o cargo de maneira imediata, até que nova votação aconteça entre os sócios, e que pode definir de uma vez por todas a sua saída.

Casares passou a ser alvo de investigações nos últimos tempos, uma delas a respeito de um suposto recebimento de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro na sua conta corrente, entre janeiro de 2023 e maio de 2025.

A votação que definiu o afastamento dele aconteceu de forma híbrida, após definição da Justiça, contrariando o que havia sido programado dentro do clube, que exigia que a votação fosse apenas presencial. Foram computados 188 votos para aprovar a pauta, contra 45 para rejeitar, além de dois votos em branco.

Com o impeachment encaminhado, o presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres, deve agora convocar uma Assembleia Geral em até 30 dias, para que os sócios votem e definam o impeachment ou não.

Nessa votação, basta maioria simples, com diferença mínima, para que Casares seja destituído definitivamente do cargo de presidente.

Presidência

De acordo com o Estatuto Social do São Paulo, quem assume de maneira imediata é o vice-presidente da atual gestão. Neste caso, o sucessor imediato é o vice Harry Massis Júnior, que está no cargo desde 2021.

Ainda segundo as normas do clube, Massis Jr. ficará no clube até o término do mandato do presidente que foi destituído. Ou seja, o novo presidente comanda o Tricolor até o fim de 2026.

Harry Massis Júnior, de 80 anos, é empresário e sócio do São Paulo desde 1964. Conselheiro vitalício do clube, o profissional já exerceu diferentes funções no Tricolor. Entre 2001 e 2002, por exemplo, atuou como diretor adjunto de futebol. Também já foi diretor adjunto administrativo entre 1992 e 1993.

O Impeachment

A gestão de Julio Casares no São Paulo vive seu período de maior turbulência. Diante dos recentes escândalos divulgados pela imprensa e das investigações abertas pela Polícia Civil, o grupo de conselheiros “Salve o Tricolor Paulista” protocolou o pedido de impeachment do presidente com base nos artigos 63, 79 e 112 do Estatuto Social do clube.

O grupo político reuniu 57 assinaturas de conselheiros. Além disso, os opositores divulgaram que deste montante, 13 são atores políticos considerados da situação. Ou seja, antigos aliados de Julio Casares estão mudando de lado no tabuleiro político tricolor.

A pressão política sobre Casares começou a crescer no dia 16 de dezembro de 2025, com a revelação de um esquema ilegal de venda de ingressos para shows em um camarote no Morumbis.

Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo e ex-esposa do presidente tricolor, e Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base, foram citados nominalmente e pediram licença de seus respectivos cargos. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o caso.

Pouco tempo depois, no dia 22 de dezembro, o Uol revelou que a Polícia Civil também investiga um suposto esquema de desvio de dinheiro na venda de atletas, iniciado em 2021, quando se iniciou a gestão Casares. Foi após este escândalo que o grupo de conselheiros da oposição decidiu protocolar o pedido de impeachment do mandatário tricolor.

Já no último dia 6 de janeiro deste ano, a investigação da Polícia Civil identificou movimentações suspeitas relacionadas a Julio Casares, apontadas por relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

O presidente do São Paulo teria recebido R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025, período em que já administrava o Tricolor. Por meio de nota oficial, os advogados do mandatário descartaram qualquer tipo de irregularidade.

Também foram identificados 35 saques em dinheiro das contas do clube, entre 2021 e 2025, que totalizaram R$ 11 milhões.

Diante deste cenário, a Polícia Civil passou a investigar Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol, que teria aberto 15 empresas justamente no período em que atuou no clube, segundo revelado pela Rede Globo. As autoridades procuram entender se há algum tipo de ligação entre a abertura das companhias e os possíveis desvios de dinheiro.

Já na última quinta-feira, um dia antes da votação de impeachment, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para apurar possível gestão temerária no São Paulo, com indícios de dilapidação patrimonial, desvio de finalidade, favorecimento de terceiros ou familiares de dirigentes e eventual uso irregular de recursos públicos ou benefícios fiscais.

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