
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ouve, nesta segunda-feira (8), o ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi, que chefiou a pasta de janeiro de 2023 a maio de 2025.
Lupi pediu demissão em 2 de maio, cerca de 15 dias após a operação da Polícia Federal (PF) que mapeou cobranças indevidas feitas por entidades na folha de pagamento de aposentados e pensionistas.
Na avaliação de pessoas ligadas ao governo, a demora do presidente Lula (PT) em demitir o ministro gerou um desgaste para a imagem da gestão, e mesmo assim não o fez, visto que foi Lupi quem pediu seu desligamento. O desgaste também se deu quando Lupi defendeu, publicamente, o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto.
O requerimento para a oitiva de Lupi foi feito pelo relator da CPMI, o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL). No documento, ele diz que “o ex-ministro detém informações imprescindíveis para ajudar no esclarecimento dos fatos, especialmente no que tange às medidas políticas e administrativas adotadas ou não pelo MP [Ministério Público]”.
Durante sessão da CPMI realizada na última quinta-feira (4), o deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO) disse, aos gritos, que Lupi vai “levar um cacete” quando for depor à comissão.
“O ministro Lupi disse aqui numa comissão, perguntei a ele se ele sabia sobre os roubos dos aposentados. Para a sua surpresa, sabe o que ele falou? ‘Eu tinha’. Está vendo? O ministro, doutora? Prevaricou. Brasil, o Lupi prevaricou. Ele vai vir aqui e vai levar um cacete”, declarou Chrisóstomo.
Histórico
A queda de Lupi do Ministério da Previdência foi a segunda vez que o presidente de honra do PDT deixa o comando de uma pasta na Esplanada dos Ministérios. Em 2011, durante a gestão de Dilma Rousseff (PT), ele renunciou ao cargo de ministro do Trabalho após denúncias de uso indevido de recurso públicos.
À época, era acusado de se beneficiar de verbas de organizações não governamentais com convênios junto à pasta. A Comissão de Ética da Presidência recomendou sua saída, mas Lupi optou por antecipar a decisão e entregou o cargo.
No atual governo Lula, Lupi reassumiu um ministério depois de mais de uma década. Desde janeiro de 2023, esteve à frente da Previdência Social, onde indicou dois presidentes para o INSS, e ambos acabaram exonerados em meio a suspeitas. O primeiro foi Glauco Wamburg, afastado ainda em 2023 após denúncias de uso irregular de passagens e diárias. O segundo, Alessandro Stefanutto, foi afastado do cargo na em 23 de abril, após ser alvo da PF.


