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Cresce incidência de homens adultos com sífilis no Amazonas

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas ( ) registrou 3.878 casos de sífilis adquirida em 2025. Em 2021, foram notificados 3.231 casos. No ano seguinte, 2022, foram 3.405 registros. Em 2023, houve uma redução, com 3.197 casos, antes de os números voltarem a crescer em 2024, quando foram contabilizados 3.379 casos. O avanço se consolidou em 2025, que apresentou o maior volume da série histórica. A maioria dos casos ocorre em homens adultos jovens.

Na comparação entre 2024 e 2025, o estado teve aumento de 499 casos, um crescimento de 14,8%. A taxa de incidência passou de 81,2 para 93,2 casos por 100 mil habitantes. A sífilis é uma IST (Infecção Sexualmente Transmissível) causada pela bactéria Treponema pallidum, sendo mais comum ser transmitida por relação sexual sem uso de preservativo.

Segundo a FVS, o crescimento está associado a diferentes fatores. “A descentralização das ações de vigilância e assistência ampliou significativamente o acesso ao diagnóstico, com a maior oferta de testes rápidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), permitindo a identificação de casos que antes não eram diagnosticados ou notificados”.

A Fundação também registra que a redução do uso de preservativos, especialmente em relações ocasionais, contribui para a transmissão ativa da infecção.

Diante desse cenário, a FVS informou que estão em andamento ações estratégicas que incluem a intensificação da distribuição de insumos de prevenção, como preservativos e testes rápidos, além da capacitação contínua dos profissionais da Atenção Primária à Saúde. As iniciativas têm foco no diagnóstico oportuno, no tratamento imediato e na interrupção da cadeia de transmissão.

Segundo a FVS, embora atue no fornecimento de insumos e no apoio técnico, a execução das ações de testagem, tratamento e acompanhamento ocorre no âmbito municipal, por meio das secretarias municipais de saúde, responsáveis pelo atendimento direto à população nos territórios.

Sífilis em gestantes e congênita

Os registros de sífilis em gestantes também cresceram nos últimos anos. Em 2021, foram notificados 1.994 casos no Amazonas. Em 2022, o número subiu levemente para 2.003 registros. Em 2023, houve redução, com 1.826 casos, antes de os dados voltarem a subir em 2024, quando foram contabilizados 1.954 casos. Em 2025, o total alcançou 2.460 casos, o maior volume da série analisada.

Na comparação entre 2024 e 2025, o aumento foi de 506 casos, um crescimento de 25,9%. A taxa de incidência entre gestantes também acompanhou essa elevação, passando de 15,18 para 17,90 casos por 1.000 nascidos vivos.

De acordo com a FVS, um dos principais entraves para a redução desses números é a baixa adesão dos parceiros sexuais ao tratamento, o que favorece a reinfecção das gestantes, mesmo quando o pré-natal é iniciado. “A ausência do tratamento simultâneo favorece a reinfecção da gestante, uma vez que muitos parceiros não comparecem às unidades de saúde ou não concluem o esquema terapêutico recomendado”, informa a fundação.

Outro fator apontado é o tratamento incompleto ou inadequado, especialmente o não cumprimento correto das doses de penicilina nos intervalos indicados, além do diagnóstico tardio, com identificação da infecção apenas no momento do parto ou no pós-parto. Segundo a Fundação, esses elementos evidenciam fragilidades no acesso oportuno ao pré-natal, na testagem precoce e na repetição dos testes ao longo da gestação.

Os dados do painel epidemiológico também indicam casos de sífilis congênita, transmitida da mãe para o bebê, com comportamento distinto ao longo dos anos. Em 2021, foram registrados 602 casos no estado. Em 2022, o número caiu para 545. Já em 2023, houve nova redução, com 491 casos, seguida de leve baixa em 2024, quando foram contabilizados 454 registros. Em 2025, o total subiu para 513 casos.

Na comparação entre 2024 e 2025, houve aumento de 59 casos, representando crescimento de 13%. A taxa de incidência passou de 5,93 para 6,84 casos por 1.000 nascidos vivos, permanecendo acima do parâmetro recomendado para a eliminação da doença.

As complicações de sífilis congênita incluem aborto espontâneo, parto prematuro, malformação do feto, alterações nos ossos, cegueira, surdez, deficiências intelectuais e morte do recém-nascido.

Perfil dos casos em 2025

Em 2025, o perfil dos casos de sífilis adquirida no Amazonas indicou maior concentração entre adultos jovens, com diferenças entre os sexos. Na faixa etária de 20 a 29 anos, foram registrados 914 casos entre homens, correspondentes a 40,1% das notificações masculinas, e 505 casos entre mulheres, equivalentes a 32,1% dos registros femininos.

Entre pessoas de 30 a 39 anos, foram contabilizados 560 casos em homens (24,5%) e 329 em mulheres (20,9%). Já na faixa etária de 40 a 59 anos, os registros somaram 454 casos no sexo masculino (19,9%) e 372 no feminino (23,6%).

Os dados mostram que entre jovens e adolescentes de 14 a 19 anos, foram notificados 206 casos entre homens (9%) e 268 entre mulheres (17%), indicando maior proporção feminina nessa faixa etária.

Diante desse perfil, a FVS informou que as estratégias de prevenção prioriza a população jovem, com campanhas educativas nas redes sociais e ampliação das ações de prevenção combinada em ambientes universitários, espaços de lazer e eventos culturais, fortalecendo o acesso a preservativos, testagem rápida e informação qualificada.

A distribuição por raça ou cor indica predominância entre pessoas autodeclaradas pardas, que concentraram 3.276 casos, o equivalente a 84,7% das notificações. Segundo a FVS, esse percentual está alinhado ao perfil demográfico da região amazônica.

Conforme a Fundação, o órgão atua de forma transversal por meio da Política de Saúde Integral da População Negra, com foco na redução de vulnerabilidades sociais, territoriais e estruturais que impactam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

Os dados também mostram relação com o nível de escolaridade. Em 2025, a maioria das notificações ocorreu entre pessoas com 12 anos de estudo ou mais, totalizando 1.976 casos. Entre aquelas com 8 a 11 anos de estudo, foram registrados 780 casos, enquanto pessoas com menos de 8 anos de escolaridade somaram 533 registros.

Municípios

Em 2025, Manaus registrou 2.568 casos de sífilis adquirida, ligeiramente acima dos 2.522 casos contabilizados em 2024. Entre os demais municípios, Carauari notificou 135 casos, Coari teve 130, Parintins registrou 88 e Manacapuru 81.

Sintomas

Na fase primária da doença, surge uma ferida indolor que pode aparecer no pênis, vagina, ânus, vulva ou colo do útero, geralmente até 90 dias após o contágio. Nos homens, a lesão costuma ser mais fácil de identificar, enquanto nas mulheres pode passar despercebida devido à anatomia genital. Apesar de cicatrizar sozinha, a pessoa continua capaz de transmitir a doença.

Se não tratada, a sífilis pode evoluir para a fase secundária, com manchas pelo corpo, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Esses sinais também podem desaparecer espontaneamente, mas a infecção continua avançando. Na fase terciária, que pode se manifestar até 40 anos após a contaminação inicial, a doença provoca lesões ósseas, neurológicas e cardiovasculares, podendo levar o paciente à morte.

Além de afetar a saúde do adulto, a sífilis pode ser transmitida de mãe para filho durante a gestação, caracterizando a sífilis congênita. Por isso, o acompanhamento pré-natal adequado, com diagnóstico e tratamento da gestante e de seus parceiros sexuais, é fundamental para prevenir a transmissão e proteger a saúde materna e infantil.

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