
Dionedio Conrado da Silva, 39; Jeberson Nunes de Sousa Carvalho, 38; Miller Kalil Lana Sírio, 44; e Petrus Cartaxo Araújo Sobrinho, 31 anos foram presos em flagrante na quarta-feira (1), durante uma ação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio da Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente e Urbanismo (Dema), por promoverem eventos de rinhas de galo em vários estados do Brasil.
A ação contou com o apoio do Núcleo de inteligência da Polícia Civil de Roraima (PC-RR), da Agência de Informações e Inteligência Policial do 8º Departamento de Polícia Civil de Minas Gerais (PC-MG) e da Polícia Civil da Paraíba (PC-PB).
Todos foram presos em seus respectivos estados. Em Manaus, o detido é Dionedio Conrado, acusado de endossar a participação no crime de associação criminosa, maus-tratos aos animais e exploração de jogos de azar.
Além disso, Dionedio, diz ser arbítrio da rinha e presidente da Associação dos Criadores, Preservadores e Expositores de Aves da Raça Mura do Estado do Amazonas – porém – segundo a polícia, não possui registro nos órgãos competentes.
A denúncia foi feita pela deputada estadual Joana Darc (UB) por prática criminosa de maus-tratos aos animais. Depois disso, a parlamentar diz ser vítima de ameaças pelo grupo.
Petrus Cartaxo Araujo Sobrinho, vulgo Pisca, é o principal acusado de instigar pessoas para adotar as ameaças à Joana nas redes sociais, incluindo comentários com conotação de morte, ofensas ao trabalho da parlamentar na causa animal, como mulher, mãe e, também, mensagens de ódio ao filho, uma criança com Síndrome de Down.
“Quatro pessoas envolvidas foram presas, pessoas que maltratavam animais e influenciam ameaças contra mim. Ameaças que foram para minha família, estando grávida, inclusive, sofrendo de abuso psicológico em um momento tão delicado para a mulher, que é a gravidez na reta final. A justiça está sendo feita e isso é só o início”, declarou.

Válido ressaltar que, na época, Joana estava grávida e, segundo ela, devido às ameaças que estavam a nível nacional, pois a rinha de galos envolvia pessoas fora do Amazonas, precisou se ausentar mais cedo das atividades parlamentares, entrando de licença-maternidade e sair do país.
Perfil dos envolvidos
Petrus Cartaxo Araújo Sobrinho, vulgo Pisca, Dionedio Conrado da Silva (arbítrio da rinha e presidente da Associação dos Criadores, Preservadores e Expositores de Aves da Raça Mura do Estado do Amazonas), Miller Kalil (rinheiro e sócio de Pisca) e Jeberson Nunes de Sousa Carvalho (proprietário do imóvel disponibilizado para a rinha), vulgo Gansolino, foram presos após um mandado de prisão
Segundo o inquérito policial, Pisca foi investigado e preso pelos crimes de incitação ao ódio, apologia ao crime, injúria, ameaça, calúnia, perseguição e violência psicológica contra a mulher, cujo polo passivo está representado pela coletividade e pela deputada do Amazonas Joana Darc, a qual estava sendo atacada diuturnamente pelos suspeitos. Ele foi preso em Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa (PB).
Pisca ainda divulgou, por meio de suas redes sociais, um grupo de WhatsApp criado para operacionalizar o resgate do seu galo mais valioso, denominado “Rampage”, com a participação de 948 (novecentos e quarenta e oito) membros, incitando a prática criminosa.
A prisão de Miller Kalil se deu aos eventos de rinha de galo, como sócio de Pisca, ao aparecer em vídeo, por ele próprio divulgado em suas redes sociais, oferecendo uma rifa de um galo dos torneios de rinha de âmbito nacional, pelo valor de 0,80 (oitenta centavos), demonstrando total convicção de impunidade pela participação nos eventos criminosos de rinha de galo. Ele foi preso em Valadares (MG).
Por sua vez, Gansolino foi preso, em Boa Vista (RR), por associação criminosa, na exploração de jogos de azar e nos maus-tratos ao animais, sendo apontado em denúncia anônima como o proprietário do imóvel onde ocorreu o evento de rinha de galo nos dias 26 e 27/01/2024, posando em fotos.
Relembre o caso
No dia 27 de janeiro de 2024, o Batalhão de Policiamento Ambiental do Amazonas (BPAmb) desmantelou uma rinha nacional de galos no ramal do Pau Rosa, localizado na BR-174, no Amazonas, após uma denúncia anônima à Comissão de Proteção aos Animais da Assembleia Legislativa do Amazonas (CPAMA-Aleam), presidida pela deputada Joana Darc.Foto: Divulgação
Na operação, mais de 80 galos foram apreendidos e resgatados pelos policiais, resultando na detenção de cerca de 16 ‘rinheiros’.
De acordo com informações colhidas no local, os organizadores das rinhas eram de Boa Vista (RR) e cobravam 100 reais por pessoa para a entrada, com apostas mínimas variando de 500 reais a 20 mil reais. Vale lembrar que no local ainda foram encontrados animais mortos, devido a briga em torneios.

Rinha de animais é crime
A Lei Estadual nº 6.423/2023 proíbe a prática de brigas (rinhas) de animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos no Amazonas. O alojamento dos animais encontrados era um espaço pequeno, gradeado e sem a devida limpeza e alimentação.
Segundo a legislação, a pessoa que for denunciada e condenada por praticar rinha, será multada no valor de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais), podendo chegar até R$ 20.000,00 (vinte mil reais), dependendo da infração e do estado do animal.
*Com informações da Assessoria de Imprensa


