
O prefeito de Manaus, David Almeida anunciou para o Natal de 2023 a inauguração do Parque Encontro das Águas, um dos últimos projetos do arquiteto Oscar Niemeyer, morto em 2012, e único feito por ele para a região Norte do país.
“É um sonho que está se tornando realidade, saindo do papel, para entrar em execução muito em breve”, informou o prefeito pela sua rede social se referindo a obra como um “presente para Manaus” no Natal do ano que vem.
O projeto está na fase de finalização de estudos e análises para estabilização do talude, em razão de uma erosão identificada na área em abril deste ano. Os estudos são de geomorfologia e geotecnologia para posterior intervenção.
O projeto do arquiteto que idealizou Brasília junto com Lúcio Costa, já passou por várias gestões municipais nos últimos 16 anos, mas nunca saiu do papel.
A previsão é que a proposta seja encaminhada à Comissão Municipal de Licitação (CML) até o final do mês de setembro e que a ordem de serviço seja assinada pelo prefeito em dezembro.
“Estamos na fase de orçamento dos estudos geomorfológicos e geotecnológicos e de readequação da parte de urbanismo para o parque. As imagens são os estudos finais para a urbanização. O projeto inclui a estabilização do talude e edificações, inclusive do entorno, com a recuperação do acesso viário, cerca de 2 quilômetros até a chegada ao espaço”, explicou o diretor-presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Carlos Valente.
Para Valente e equipe técnica debruçada sobre a empreitada, a obra tem a equivalência de ponto turístico do porte do Teatro Amazonas, com a previsão de ser um dos mais visitados por turistas internos, moradores e estrangeiros, tendo como cenário o patrimônio natural do encontro dos rios.
Readequação
Após 16 anos do desenho original de Niemeyer, a proposta precisou ter ajustes no escopo e conceito. Na concepção, em 2006, quando Carlos Valente estava à frente do Implurb, tinha uma característica mais de contemplação e de levar a assinatura do renomado arquiteto.
Hoje existe a necessidade de outra dinâmica urbanística, com interferências adicionais para acessibilidade universal, com estacionamento para Pessoa com Deficiência (PcD) mais próximo da oca; atendimento a demandas da infância, com um playground; paisagismo ajustado à locação inicial e patrimônio.
“Os estudos geodésicos feitos hoje para a estabilização do talude permitem também ir além dos realizados em 2006, quando a preocupação era dar suporte às cargas previstas com a obra. Os atuais preveem a estabilização do barranco, o que nos dá tranquilidade e visão de perenidade à construção”, disse o diretor-presidente.
A famosa oca de concreto desenhada pelo arquiteto, com duas lâminas que sobem em direção ao céu, deixa o conceito de museu para abrigar um espaço multiuso e de multiplicidade de diversas exposições temáticas. As lâminas em concreto simbolizam os rios Negro e Solimões.
Platô
No alto de um platô, a vista para o encontro dos rios Negro e Solimões se soma as linhas do arquiteto, considerado mais uma obra de arte de Niemeyer.
A cúpula do projeto remete a uma oca e a edificação não tem interferência na paisagem espetacular. São duas hastes, em concreto, que sobem e se encontram, simbolizando os dois rios, com cores diferentes.
Com vista privilegiada do Encontro das Águas, o parque recebe o nome de Rosa Almeida, mãe do prefeito David Almeida, que foi uma das vítimas da Covid-19, em 2020.
Distribuído em uma área total de mais de 120 mil metros quadrados, com encostas e grande declividade, tem vista do cartão-postal natural onde percorrem os rios Negro e Solimões.
Nele, estão os elementos do projeto original de Oscar Niemeyer, que receberá ainda mirante, centro de artes, restaurante e setor administrativo, incluindo banheiros.
O arquiteto Niemeyer desenhou uma estrutura em concreto armado, na sua assinatura de reinterpretação de materiais modernos e volumes puros, na relação arte-arquitetura.
Para o parque, há o contraste geométrico entre formas arquitetônicas orgânicas – a representação dos rios – com a natureza exuberante.
As hastes em concreto armado têm 30 metros de diâmetros e uma lâmina em cima, com cerca de 17 metros de altura, representando os rios Negro e Solimões. A outra parte é um restaurante, também dando curva ao concreto.


