
Estudos publicados em revistas acadêmicas dos EUA, China e França apontam que as drogas cloroquina e hidroxicloroquina, atualmente usadas no tratamento da malária e de doenças reumatológicas, apresentaram resultados promissores na inibição do novo coronavírus.
No entanto, foram feitos testes em apenas 20 humanos e precisa de mais tempo para experimentos até que ela seja liberada para o novo uso. Mesmo assim, já há pacientes brasileiros que testaram positivo para o Sars-CoV- 2 e que tiveram a droga prescrita.
“Este tipo de medicamento apresenta alta toxicidade, e o uso irrestrito poderia causar outros danos à saúde. A real eficiência não foi comprovada”, diz o presidente da Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas e professor da Universidade de São Paulo (USP), Flavio Emery. Segundo ele, “qualquer uso de medicamento deve ser feito somente após consulta médica e acompanhamento farmacêutico”.
O remédio, que só pode ser comprado com receita médica, já começou a se esgotar nas redes de farmácias. Emery afirma que a produção do medicamento é pequena devido ao público restrito que o utiliza. “O risco é as pessoas saírem comprando o remédio para um uso não confirmado e deixarem quem precisa sem o tratamento das suas doenças”, afirma.
O Ministério da Saúde apelou à população para que não compre esse tipo de medicamento. Segundo Denizar Vianna, secretário de Ciência e Tecnologia da pasta, há uma hipótese de que as substâncias ajudem no tratamento da Covid-19, mas é preciso que estudos sejam feitos ainda. Além disso, ele destacou que o SUS oferta tal medicamento.
“O Ministério da Saúde tem condição de produção muito grande. Hoje, já é disponibilizado. Se estudos mostrarem esse tipo de beneficio, poderemos prover esse tratamento para a população”, destaca Vianna informando que a OMS fará um estudo amplo para verificar se os remédios de fato têm boa resposta para combater o novo coronavírus.
“Os dados são promissores, existe uma plausibilidade biológica de que esse mecanismo de ação faça sentido, só que os estudos ainda são insuficientes”, diz Vianna.
Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que a hidroxicloroquina e a cloroquina são registradas para o tratamento da artrite, lúpus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária. Destacou também que, apesar de serem promissores para o novo coronavírus, “não existem estudos conclusivos” e, assim, “não há recomendação da Anvisa, no momento, para o uso em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação”. Por fim, ressaltou que a automedicação pode ser um grave risco à saúde.
A Prevent Senior, operadora de saúde que concentra as cinco mortes de coronavírus em São Paulo, diz que pretende usar a hidroxicloroquina a partir de amanhã, com autorização dos pacientes interessados e analisando caso a caso. A Prevent disse ter recebido 24 mil doses do medicamento.
Preço dobrado
Nos EUA, o presidente Donald Trump afirmou que a entidade reguladora de medicamentos do país deve acelerar o processo de aprovação para potenciais terapias que tenham efeito contra a Covid-19.
Trump citou a hidroxicloroquina e afirmou que a agência de vigilância sanitária dos EUA (FDA) deve iniciar o processo administrativo de regulamentação. Já o comissário do órgão, Stephen Hahn, afirmou que ainda é preciso mais testes.
De acordo com o “Financial Times”, há apenas um laboratório que fabrica a droga nos EUA. E, em janeiro, quando os resultados começaram a aparecer, o preço do medicamento dobrou no país. Atualmente, custa US$ 7 a pílula de 250mg e US$ 20 a de 500mg. A farmacêutica Rising, de Nova Jersey, afirmou que foi coincidência.
No Brasil, a caixa com 30 comprimidos de 400mg custa R$ 75, produzida pela Apsen. Em nota, a farmacêutica defende que o princípio ativo tem “excelente potencial como medicamento antiviral de amplo espectro e que ainda é preciso mais estudos sobre a eficácia contra o coronavírus”.


