
Em 2025, o município de Manaus registrou 233 casos de óbitos por Aids. O número representa redução em relação a 2022, antes da implementação do projeto, quando houve 262 óbitos. No ano passado, Manaus registrou 1.528 casos de HIV, com 505 casos de Aids em adultos. As 12 unidades de saúde da rede municipal que realizam o manejo clínico em HIV, incluindo os quatro SAES, registraram 12.134 usuários ativos do serviço no ano passado.
Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Com objetivo de evitar hospitalizações e qualificar a identificação de infecções oportunistas para reduzir o risco de mortalidade de pessoas vivendo com HIV/Aids, a Prefeitura de Manaus implantou, na de forma definitiva, as ações do Circuito Rápido da Doença Avançada.
Implantado como projeto-piloto em 2023, o Circuito Rápido da Doença Avançada é uma estratégia do Ministério da Saúde que abrangeu 23 municípios dos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Ceará e Amazonas, representando as cinco regiões do Brasil.
A chefe do Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e Hepatites Virais da Semsa, assistente social Thayná Saraiva, explica que o projeto foi implementado com a intenção de organização da rede de assistência, de forma a priorizar cada vez mais a redução do tempo entre o diagnóstico e o início de profilaxias e tratamento da infecção pelo HIV/Aids, assim como agilizar o diagnóstico e tratamento das possíveis infecções oportunistas entre os pacientes vivendo com HIV/Aids.
O HIV, sigla em inglês para Vírus da Imunodeficiência Humana, afeta o sistema imunológico, que é o responsável por proteger o organismo contra doenças. Com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, Thayná Saraiva lembra que é possível controlar a infecção, mas quando o diagnóstico é tardio ou o paciente não faz o tratamento de forma correta, há a evolução para a Aids.
Atualmente, o Circuito Rápido da Doença Avançada está definitivamente implantado na rede de saúde da Semsa, inserido nos quatro SAEs administrados pela Prefeitura de Manaus. O serviço conta com oferta regular de testes rápidos para rastreio de infecções oportunistas e fluxo de cuidado específico aos usuários elegíveis, possibilitando a identificação de doenças em tempo oportuno, e intervenções precoces relativas a profilaxias e tratamento antirretroviral.
“O Circuito Rápido também permitiu melhorias no processo de busca ativa de pacientes em interrupção de tratamento, visando a revinculação de usuários à rede de saúde, possibilitando a retomada do tratamento”, destaca Thayná.
Transmissão
O médico infectologista Bruno Araújo Jardim, que atua no Núcleo de Controle de HIV/Aids, ISTs e Hepatites Virais da Semsa, reforça que a transmissão do vírus ocorre principalmente por meio da relação sexual, sem uso do preservativo, e eventualmente por contato com material perfurocortantes e na transmissão vertical, da mãe para o bebê na gestação, parto ou amamentação.
Bruno Jardim alerta que a Aids, síndrome da imunodeficiência adquirida, é a doença ocasionada pelo HIV quando o paciente não faz o tratamento adequado, o que leva ao avanço da infecção, prejudicando o sistema imunológico e impactando no combate a uma série de doenças oportunistas, como infecções bacterianas graves, herpes-zoster, formas graves de pneumonia e doenças como toxoplasmose e alguns tipos de linfomas.
“Mas quando o paciente segue o tratamento adequado, uma pessoa pode viver muito bem com o HIV. O tratamento leva a uma carga viral indetectável, uma carga viral muito baixa. Com isso, há bons resultados do ponto de vista individual, já que a pessoa pode ter boa qualidade de vida e uma boa expectativa de vida, muito próxima da população em geral. E uma pessoa que é indetectável, quando mantém o uso de terapia antirretroviral, não transmite a infecção para outras pessoas”, aponta Bruno Jardim.


