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F1: Aerodinâmica traseira se torna mais complexa em 2026

O shakedown da Audi realizado na última sexta-feira (9), em Barcelona, ofereceu um primeiro vislumbre do que a Fórmula 1 pode esperar a partir de 2026. Os novos carros prometem ser mais “ágeis” e marcam o fim dos monopostos baseados no efeito solo, dentro de uma profunda revolução regulatória.

Os modelos atuais serviram pouco como referência para os carros do novo ciclo. As primeiras imagens vazadas do RS26 indicam mudanças significativas nas dimensões — comprimento, largura e peso — além do uso de pneus Pirelli mais estreitos. O regulamento impacta praticamente todos os aspectos do carro, do chassi à unidade de potência.

Nesse contexto, uma das principais polêmicas envolve Mercedes e Red Bull. As equipes teriam encontrado uma solução para aumentar a taxa de compressão dos motores quando em temperatura de operação, retornando ao limite de 16:1 apenas em medições feitas a frio. A estimativa é de um ganho entre 10 e 15 cavalos, o que pode representar cerca de dois décimos e meio por volta. Ferrari, Honda e Audi devem questionar a FIA sobre o tema na Comissão Técnica marcada para 22 de janeiro, apesar da entidade já ter considerado a solução legal.

Além das questões relacionadas aos motores, a FIA promoveu mudanças estruturais na aerodinâmica. Com a dificuldade do MGU-K em fornecer energia elétrica para uma volta inteira, novas escolhas técnicas foram adotadas, aumentando a complexidade do trabalho das equipes. Entre elas, a introdução de asas móveis dianteiras e traseiras, o retorno do assoalho plano e a eliminação do efeito solo, em uma tentativa de reduzir a perda de downforce no vácuo e facilitar as ultrapassagens.

Um dos pontos menos discutidos, mas potencialmente decisivos, está na região traseira do carro. Tradicionalmente, o brake duct traseiro conta com uma cascata de perfis e aletas responsável por organizar o fluxo de ar, minimizar os efeitos da turbulência gerada pelos pneus e auxiliar na extração do ar do difusor, contribuindo diretamente para a geração de carga aerodinâmica.

Para 2026, a FIA alterou essa configuração. Os flaps localizados abaixo da linha central da roda deverão ser fixados ao difusor, enquanto os elementos acima continuam integrados ao brake duct. A mudança altera a lógica aerodinâmica dessa área sensível e pode impactar o desempenho dos novos monopostos.

Embora pareça um detalhe técnico, a alteração tende a gerar desafios no início do desenvolvimento. Os perfis fixados ao difusor não acompanharão as oscilações do pneu, ao contrário do que ocorre com os elementos ligados ao brake duct. Isso pode provocar instabilidades no fluxo de ar, já identificadas em simulações e testes em túnel de vento.

Trata-se de mais um exemplo de como o regulamento de 2026 torna a aerodinâmica traseira mais complexa e reforça que os próximos anos exigirão soluções criativas e precisas das equipes da Fórmula 1.

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