
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) confirmou neste sábado (14) que as etapas do Bahrein e da Arábia Saudita da Fórmula 1, que estavam programadas para abril, não vão ocorrer no próximo mês. A decisão foi tomada em decorrência da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que teve repercussões em todo o Oriente Médio. As provas não serão substituídas, e, a princípio, o calendário da temporada 2026 fica com apenas 22 corridas.
Diversos veículos da imprensa internacional já tinham divulgado a informação na última sexta-feira (13), mas a confirmação oficial de que os GPs de Bahrein e Arábia Saudita não serão realizados em abril veio apenas neste sábado. Em comunicado, a FIA afirmou que a decisão foi tomada após uma análise cuidadosa do conflito no Oriente Médio. Stefano Domenicali, presidente da F1, também se manifestou.
– Embora tenha sido difícil de tomar, infelizmente é a decisão certa nesta fase, tendo em conta a situação atual no Oriente Médio. Gostaria de aproveitar esta oportunidade para agradecer à FIA, bem como aos nossos incríveis promotores, pelo apoio e total compreensão, já que estavam ansiosos para nos receber com a energia e a paixão de sempre. Mal podemos esperar para voltar a estar com eles assim que as circunstâncias nos permitirem – declarou o dirigente, deixando no ar a possibilidade de as provas ocorrerem ainda neste ano.
O GP do Bahrein seria a quarta etapa da temporada, entre os dias 10 e 12 de abril, enquanto o GP da Arábia Saudita seria realizado na semana seguinte, de 17 a 19. Algumas possibilidades de substituição chegaram a ser analisadas, como corridas em Ímola, na Itália, Portimão, em Portugal, ou Istambul, na Turquia. No entanto, as alternativas não avançaram devido à falta de tempo hábil para organizar os grandes prêmios. Dessa forma, não haverá nenhuma corrida da Fórmula 1 no mês de abril, algo que não acontecia desde 2020, quando a temporada foi impactada pelo início da pandemia de Covid-19.
A decisão de não realizar as provas em abril também afeta as categorias de base da F1, onde estão os brasileiros Rafael Câmara e Emmo Fittipaldi (Fórmula 2), e Pedro Clerot e Fefo Barrichello (Fórmula 3). O retorno às corridas será apenas daqui a três meses, em 7 de junho – data da etapa de Monte Carlo, em Mônaco. Ainda foram cancelados testes da F2 e da F3 que ocorreriam no Bahrein, entre 25 e 27 de março.
A FIA e a Fórmula 1 vinham monitorando os desdobramentos do conflito no Oriente Médio desde os primeiros dias da escalada militar, iniciada em 28 de fevereiro. Tanto o Bahrein quanto a Arábia Saudita foram atingidos por ataques do Irã, em retaliação à ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o país.
Logo no primeiro dia do conflito, um míssil iraniano atingiu uma base da Marinha dos Estados Unidos a cerca de 30 km do Circuito de Sakhir, palco do GP do Bahrein, o que já havia provocado o cancelamento de um teste de pneus da Pirelli. Já a Arábia Saudita, registrou as duas primeiras mortes no país em 8 de março, após um projétil militar cair em uma área residencial na cidade de Al-Kharj.
Também como consequência do conflito no Oriente Médio, a FIA já havia decidido adiar a etapa do Catar do Mundial de Endurance (WEC), que estava prevista para 28 de março. O circuito de Lusail, que também faz parte do calendário da Fórmula 1, receberia a abertura da competição.
Sem as corridas no Bahrein e na Arábia Saudita, a Fórmula 1 ainda prevê outras duas etapas no Oriente Médio em 2026: o GP do Catar, em 29 de novembro, e o GP de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em 6 de dezembro. No entanto, qualquer decisão sobre a realização dessas provas será tomada mais adiante, já que elas encerram a temporada da categoria.
Veja o comunicado divulgado pela FIA neste sábado:
“Foi confirmado hoje que, após avaliações cuidadosas, devido ao cenário atual no Oriente Médio, os Grandes Prêmios do Bahrein e da Arábia Saudita não ocorrerão em abril.
Embora diversas alternativas tenham sido consideradas, a decisão final foi de que não haverá substituições em abril.
As etapas da Fórmula 2 da FIA, da Fórmula 3 da FIA e da F1 Academy também não ocorrerão nas datas previstas.
A decisão foi tomada em total concordância com o Grupo Fórmula 1, os promotores locais e nossos parceiros na região.”


