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Geração Alpha: saúde mental desafia rotina escolar em Manaus

Especialistas do Colégio Martha Falcão orientam sobre a importância do ócio criativo e o uso consciente da tecnologia para evitar a ansiedade e o baixo rendimento acadêmico entre crianças e adolescentes

Com a ascensão da geração alpha, crianças nascidas a partir de 2010 e que já crescem em um mundo totalmente conectado, o ambiente educacional enfrenta um novo paradigma: como conciliar a agilidade do mundo digital com o tempo de maturação necessário para o aprendizado tradicional. Em Manaus, o debate ganha força dentro das salas de aula, onde educadores observam que o acesso imediato a recompensas digitais tem impactado diretamente a forma como os alunos lidam com a frustração e o tempo de espera.

Diferente das gerações anteriores, esses jovens possuem múltiplas fontes de entretenimento na palma da mão, o que pode encurtar o foco em atividades que exigem esforço contínuo, como a leitura de textos longos ou a resolução de problemas complexos. Segundo a psicóloga do Colégio Martha Falcão, Ariane Batista Nunes, esse contexto exige uma observação atenta tanto da escola quanto da família. “A exposição constante a conteúdos rápidos e altamente estimulantes tende a reduzir a tolerância à frustração. Atividades que exigem paciência podem ser percebidas como desinteressantes, resultando em maior impulsividade e ansiedade”, explica.

Um dos pontos centrais para preservar a saúde mental dos estudantes é o resgate do chamado “ócio criativo”. De acordo com a especialista, o tempo livre sem estímulos dirigidos é essencial para que a criança exercite a autonomia. Quando o tédio é interrompido imediatamente pelo uso de telas, o cérebro deixa de buscar soluções próprias e de criar narrativas. Para a psicologia escolar, o desafio é fazer com que o aluno não dependa exclusivamente de estímulos externos para regular suas emoções e sua capacidade cognitiva.

Para evitar que o uso da tecnologia se torne um foco de conflito familiar, a orientação é a construção gradual de limites claros. Em vez de uma retirada abrupta dos dispositivos, a instituição sugere a negociação de regras de acordo com a faixa etária e o estabelecimento de rotinas previsíveis. Ariane Nunes reforça que a tecnologia deve ser uma aliada: “A escola pode integrar a tecnologia de forma intencional e pedagógica, utilizando-a como ferramenta de aprendizagem e não como substituto da interação. O foco deve ser o equilíbrio entre atividades digitais e práticas presenciais”.

As famílias devem ficar atentas aos sinais de alerta que indicam quando o equilíbrio foi rompido. Irritabilidade ao desligar aparelhos, queda no rendimento escolar, alterações no sono e isolamento social são indícios de que a saúde mental pode estar sobrecarregada. O cansaço escolar, muitas vezes confundido com preguiça, pode ser, na verdade, uma apatia decorrente do excesso de estímulos digitais que impedem o descanso mental adequado e o engajamento em atividades offline.

Referência em educação na capital amazonense, o Colégio Martha Falcão completa 40 anos de atuação em 2026, consolidando-se como uma instituição que une tradição e inovação. Como parte das Instituições Nelly Falcão de Souza (INFS), a escola tem investido em suporte emocional contínuo, promovendo habilidades socioemocionais que preparam o aluno para o uso consciente das ferramentas digitais, entendendo que o exemplo dos adultos é o principal vetor de mudança de comportamento.

A diretora das INFS, Nelly Falcão, destaca que o papel da escola moderna vai além do conteúdo programático. “Neste ano em que celebramos nossas quatro décadas de história, reafirmamos o compromisso de formar cidadãos críticos e emocionalmente saudáveis. A tecnologia entra em nossas salas de aula como um recurso para potencializar o pensamento crítico, mas nunca abrimos mão da convivência humana e das experiências práticas que fortalecem os vínculos e a empatia entre os alunos”, afirma.

Ela explica que a estratégia adotada pela instituição foca na mediação: ensinar o jovem a navegar no ambiente digital sem perder a conexão com o mundo real. “Ao promover experiências fora das telas e fortalecer a validação das emoções, o colégio busca mitigar os riscos de ansiedade e garantir que a geração alpha desenvolva não apenas competências técnicas, mas também a resiliência necessária para lidar com os desafios de um mundo em constante transformação”, disse a diretora.

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