Com o registro de 106 casos novos de hanseníase em 2025, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), continua com o reforço das ações de combate e inicia este ano com a programação da campanha “Janeiro Roxo”, de alerta e conscientização da sociedade sobre a doença.

O diagnóstico precoce da hanseníase é um dos principais objetivos das equipes da rede de atenção primária à saúde para o controle dessa doença milenar ainda cercada por preconceitos. Dentre os instrumentos que a Prefeitura de Manaus utiliza para identificar a infecção em tempo oportuno, está o Questionário de Suspeição de Hanseníase (QSH), ferramenta que a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) utiliza desde 2022 e que tem se mostrado fundamental para identificar casos de hanseníase no município.
Reunindo perguntas questões que abordam sobre sinais neurológicos e dermatológicos precoces relacionados a doença, a ferramenta é aplicada de forma rotineira pelas equipes nas unidades de saúde, em escolas e nos bairros da capital pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) e ganha reforço na campanha Janeiro Roxo.
A chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase (Nuhan/Semsa), enfermeira Ana Cristina Malveira, assinala a função estratégica do QSH na identificação precoce de casos da doença, uma vez que esse instrumento permite que sinais e sintomas iniciais, que podem passar despercebidos, sejam avaliados. Se a doença é confirmada, o tratamento é logo iniciado.
“A aplicação do questionário segue critérios técnicos definidos pela vigilância em saúde. Ele é direcionado principalmente a pessoas que apresentam sinais e sintomas sugestivos de hanseníase, como manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas na pele com perda de sensibilidade, dormências, formigamentos, fraqueza em mãos e pés, além de histórico de contato próximo com casos confirmados da doença”, explica a enfermeira.
O QSH também é aplicado em grupos populacionais considerados de maior risco, como moradores de áreas com maior vulnerabilidade social, pessoas que vivem em domicílios com aglomeração, e indivíduos atendidos em serviços de saúde por queixas dermatoneurológicas inespecíficas. O objetivo é identificar precocemente quem precisa de avaliação clínica detalhada e encaminhamento oportuno para diagnóstico e tratamento.
A definição das áreas e bairros onde o questionário é aplicado se baseia em critérios epidemiológicos e territoriais. São priorizados locais com histórico recente de casos de hanseníase, altas taxas de detecção, presença de casos em menores de 15 anos, ocorrência de casos com grau 2 de incapacidade no diagnóstico e registros de abandono de tratamento.
Indicadores sociais, como maior densidade populacional, condições precárias de moradia e dificuldade de acesso aos serviços de saúde, também são considerados. A partir da análise desses dados, a vigilância em saúde e as equipes da atenção básica organizam ações de busca ativa em territórios prioritários como feiras, escolas, unidades de saúde e eventos comunitários.
Sinais e sintomas
Devido à evolução lenta da infecção causada pelo Mycobacterium leprae, o diagnóstico precoce da hanseníase é considerado um grande desafio. A doença apresenta um longo período de incubação, variando geralmente entre dois e sete anos, daí a relevância da detecção de sinais e sintomas em tempo oportuno para barrar a transmissão e viabilizar a cura.
A infecção pode se manifestar por meio de manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas na pele, geralmente com perda de sensibilidade ao toque, ao calor ou à dor, além de formigamentos, dormências e fraqueza em mãos e pés.
Muitas pessoas podem conviver com esses sinais por meses ou até anos sem saber que se trata de hanseníase, o que pode gerar atraso no início do tratamento, o que por sua vez aumenta o risco de incapacidades físicas permanentes.
“Cada questionário aplicado representa uma oportunidade de interromper a cadeia de transmissão, proteger famílias inteiras e reduzir o estigma que ainda cerca a doença. Além disso, a detecção precoce contribui para diminuir custos com tratamentos mais complexos e reabilitação, fortalecendo a eficiência do Sistema Único de Saúde (SUS) e promovendo mais qualidade de vida para a população”, acrescenta Cristina.
A profissional de saúde acrescenta que a participação ativa da comunidade é fundamental para mudar o cenário da doença em Manaus. Ao responder ao questionário com atenção e buscar uma unidade de saúde ao perceber qualquer alteração na pele ou nos nervos, cada pessoa está dando uma contribuição fundamental para a saúde individual e coletiva.
Dados do Núcleo de Controle da Hanseníase apontam que em 2025 foram registrados 106 casos novos da doença na capital. Desse total, 10 casos estão relacionados a pessoas menores de 15 anos, mostrando que a transmissão nos grupos familiares e pessoas próximas é um fator determinante na disseminação da infecção.


