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Inadimplência empresarial bate recorde em 2025; 8,9 milhões de empresas

Alta no número de CNPJs negativados amplia risco de efeito dominó na cadeia produtiva

O Brasil encerrou novembro de 2025 com 8,9 milhões de empresas inadimplentes, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. O volume é o maior da série histórica e soma R$ 210,8 bilhões em dívidas acumuladas. O avanço dos CNPJs negativados pressiona capital de giro, restringe acesso ao crédito e amplia o risco de paralisação na cadeia produtiva, especialmente entre micro e pequenas empresas que dependem do fluxo mensal para manter a operação.

Patrícia Maia, especialista em recuperação de ativos, sócia do Barbosa Maia Advogados, escritório especializado em recuperação de ativos para o mercado de recebíveis, afirma que o crescimento da inadimplência exige resposta jurídica imediata. “A empresa que demora a agir perde força de cobrança, pode deixar prescrever o crédito e, em muitos casos, perde a chance de localizar patrimônio do devedor. O tempo favorece quem deve, não quem cobra”, diz.

A advogada, com mais de 19 anos de atuação em operações financeiras e recuperação judicial, explica que o impacto do atraso vai além da relação entre credor e devedor. Quando o recebimento não ocorre, o caixa encolhe, fornecedores deixam de ser pagos, limites bancários são reduzidos e investimentos são suspensos. “O crédito não recuperado vira efeito dominó. Uma dívida não paga pode comprometer toda a estrutura financeira da empresa”, afirma.

Dados da própria Serasa mostram que o crescimento da inadimplência empresarial ocorre de forma disseminada entre setores e portes, com maior concentração no comércio e em serviços. O aumento dos pedidos de recuperação judicial no país também reflete o ambiente de restrição financeira. 

Para Patrícia, a reação tardia é um dos principais fatores de perda definitiva do crédito. “Existe prazo legal para executar uma dívida. Se a empresa não acompanha, o direito pode prescrever. Além disso, garantias podem ser diluídas ou transferidas”, alerta.

A especialista aponta cinco medidas para reduzir perdas e proteger o caixa diante da inadimplência recorde

Com a inadimplência em patamar recorde, a resposta jurídica precisa ser rápida e estruturada. Para reduzir perdas e proteger o caixa, a especialista aponta cinco medidas práticas que devem entrar na rotina da empresa.

  • Diagnóstico da carteira
    Mapear valores, prazos, contratos e garantias permite priorizar créditos com maior probabilidade de recuperação e definir estratégia adequada para cada caso.
  • Notificação formal imediata
    A comunicação extrajudicial documentada comprova tentativa de cobrança, interrompe inércia e fortalece eventual execução judicial.
  • Investigação patrimonial
    Ferramentas legais de rastreio ajudam a identificar bens e ativos financeiros que possam garantir o pagamento da dívida.
  • Negociação estruturada
    Acordos devem prever reforço de garantia, cláusula de vencimento antecipado e mecanismos de controle para evitar novo inadimplemento.
  • Acompanhamento processual contínuo
    Monitorar prazos evita prescrição e aumenta as chances de bloqueio judicial de valores e bens.

Segundo a especialista, empresas que estruturam política permanente de cobrança reduzem impacto no capital de giro e preservam relações comerciais. “Não se trata de litigar por padrão, mas de agir com método. Quando o jurídico atua junto ao financeiro, o risco é calculado e a recuperação se torna mais eficiente”, afirma.

Na hora de contratar um escritório especializado, a recomendação é avaliar experiência em recuperação judicial, conhecimento em operações financeiras e capacidade de atuação tanto extrajudicial quanto judicial. Transparência na prestação de contas e relatórios periódicos também devem integrar o contrato. “Recuperação de crédito exige técnica, agilidade e estratégia. Quem atua cedo preserva caixa e protege a empresa de um prejuízo estrutural”, conclui.

Sobre Patricia Maia 

Patricia Maia é sócia do Barbosa Maia Advogados, escritório especializado em recuperação de ativos e estruturação de operações financeiras para o mercado de recebíveis. Com mais de 19 anos de experiência, atua como business strategist em operações de factoring, securitizadoras e Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs), além de consultora em reestruturação empresarial, garantias imobiliárias e gestão de risco financeiro.

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