
A indústria do Amazonas entra em 2026 com uma agenda clara: preservar a segurança jurídica da Zona Franca de Manaus (ZFM), ganhar eficiência no cenário pós-reforma tributária e ampliar a competitividade do Polo Industrial de Manaus (PIM).
O diagnóstico é compartilhado por lideranças empresariais e institucionais do setor, que apontam infraestrutura, logística, inovação e formação de mão de obra como prioridades estratégicas para sustentar investimentos, empregos e crescimento econômico no Estado.
Para o presidente executivo do CIEAM, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, o próximo ano será decisivo para consolidar um ambiente de negócios mais previsível e competitivo.
Segundo ele, a indústria espera avanços concretos na simplificação tributária e na redução do chamado custo Brasil na região.
“As principais pautas da indústria do Amazonas em 2026 devem concentrar-se no fortalecimento do ambiente de negócios e na ampliação da competitividade regional”, afirma.
Ele destaca ainda que a segurança jurídica da ZFM, a melhoria da infraestrutura logística e energética e políticas de atração e retenção de investimentos estão no centro das expectativas do setor.
Lúcio Flávio também aponta a qualificação profissional e a inserção do Amazonas em cadeias de inovação e bioeconomia como vetores essenciais para o futuro. “São prioridades que garantem previsibilidade, produtividade e geração de emprego e renda no Estado”, resume.
Da segurança jurídica à eficiência do modelo
Na avaliação da Suframa, o debate sobre a Reforma Tributária deslocou o foco da defesa do modelo para a necessidade de torná-lo mais eficiente e moderno. O superintendente Bosco Saraiva afirma que o desafio agora é transformar a Zona Franca em um ambiente ainda mais competitivo e alinhado à inovação tecnológica.
“Após os debates acerca da Reforma Tributária, nosso foco transita da segurança jurídica para a eficiência operacional e a sustentabilidade tecnológica”, afirma.
Bosco ressalta que novos investimentos dependem diretamente de infraestrutura adequada e de uma logística mais fluida, tanto para a chegada de insumos quanto para o escoamento da produção. Ele também chama atenção para a necessidade de modernizar os Processos Produtivos Básicos (PPBs).
“Precisamos garantir que os PPBs não sejam entraves a novos investimentos nem barreiras ao avanço da produtividade e da tecnologia”, diz.
O objetivo, segundo ele, é reposicionar a ZFM. “Queremos que a Zona Franca de Manaus não seja vista apenas como um regime fiscal, mas como um hub de tecnologia sustentável e inovação da América Latina.”
Infraestrutura e bioeconomia no centro do debate
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, 2026 será um ano decisivo para garantir estabilidade econômica e segurança jurídica, sobretudo em um cenário marcado pela volatilidade do calendário eleitoral.
Segundo ele, a previsibilidade é condição essencial para destravar investimentos e preservar a competitividade do Polo Industrial de Manaus.
“A prioridade absoluta da indústria amazonense é a garantia de um ambiente de estabilidade econômica e segurança jurídica, indispensáveis para a tomada de decisões e a manutenção dos investimentos”, afirma.
No cenário macroeconômico, Antônio Silva defende uma condução fiscal responsável, capaz de manter a inflação dentro da meta e favorecer uma política monetária que amplie o acesso ao crédito.
Já no plano interno das empresas, o foco segue na redução do custo Brasil e na desburocratização, fatores considerados decisivos para a saúde financeira do setor diante de um mercado global cada vez mais competitivo.
No plano nacional, o presidente da Fieam reforça que a defesa da Zona Franca de Manaus continua sendo uma pauta central da indústria, especialmente no processo de consolidação da Reforma Tributária.
“É fundamental que os mecanismos de compensação e os diferenciais constitucionais da Zona Franca sejam integralmente respeitados, garantindo segurança aos investidores e preservando a atratividade do modelo”, destaca.
No âmbito regional, ele aponta que os gargalos logísticos e de infraestrutura seguem como entraves históricos ao desenvolvimento industrial. A superação desses desafios, segundo o dirigente, passa por soluções definitivas para a navegabilidade dos rios, avanços na infraestrutura rodoviária e garantia de segurança energética.
“São condições essenciais para que o Amazonas preserve seu parque industrial e esteja preparado para atrair novas cadeias produtivas a partir de 2026”, conclui.


