Iranianos dizem que drone estava em território iraniano. Na semana passada, militares americanos já haviam acusado o Irã de disparar um míssil contra um outro drone, que vistoriava o Golfo de Omã

Guarda Revolucionária do Irã derrubou um drone dos Estados Unidos nesta quinta-feira (20), informaram autoridades americanas e iranianas, em meio a um cenário de escalada nas tensões entre Teerã e Washington.
De acordo com as Forças iranianas, o drone foi derrubado porque estava invadindo o espaço aéreo do país persa, enquanto Washington, alega que o equipamento estava em espaço aéreo internacional. O episódio vem dias após os EUA culparem o país persa por ataques a dois navios no Estreito de Ormuz , região por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. Reagindo à derrubada do drone, o preço do barril do petróleo chegou a subir 3%.
O canal estatal iraniano Press TV disse que um “drone espião” estava sobrevoando o território persa sem autorização e foi derrubado na província de Hormozgan, na costa sul do país. O comandante-chefe da Guarda Revolucionária do Irã disse que o ataque carrega um recado para a Casa Branca:
” A derrubada do drone americano foi uma clara mensagem para os Estados Unidos. Nossas fronteiras são o último limite e nós vamos reagir com veemência contra qualquer agressão”, disse Hossein Salami, segundo a televisão oficial do país. “O Irã não está em busca de uma guerra com qualquer país, mas estamos completamente preparados para nos defender”.
Os militares americanos rejeitaram a acusação de que teriam violado o espaço aéreo iraniano, alegando que o equipamento estava em território internacional. A posição exata do drone, identificado por ambos os países como um RQ-4 Global Hawk, é importante porque determinaria qual Estado é, de fato, o agressor.
“Nenhuma aeronave americana estava operando no espaço aéreo iraniano nesta quinta-feira”, disse Bill Urban, porta-voz do Comando Central. “Esse é um ataque não provocado a um equipamento de vigilância americano em espaço aéreo internacional”.
O incidente desta quinta-feira é o primeiro episódio recente que envolve diretamente forças militares americanas e iranianas — um perigoso alerta do que pode acontecer no Golfo. Segundo o analista da BBC, Jonathan Marcus, a mensagem explícita do chefe da Guarda Revolucionária não deixa dúvidas de que Teerã está por trás do ataque e que envia um claro recado para os EUA. Ele ressalta que, mesmo com os ambos os lados reforçando que não desejam um conflito, ataques deste tipo podem ser a gota d’água.
Em uma outra frente da complicada disputa de forças no Oriente Médio, a Arábia Saudita disse que rebeldes houthis apoiados pelo Irã teriam realizado uma nova ofensiva aérea no território saudita na quarta-feira. Na guerra do Iêmen, os houthis lutam contra uma coalizão liderada pelos sauditas e com o apoio dos Estados Unidos e dos Emirados Árabes Unidos , que com frequência culpa Teerã pelos ataques. Segundo um comunicado emitido por militares sauditas, os ataques aéreos são evidências de que iranianos estariam fornecendo armamentos sofisticados para seus aliados iemenitas.


