Levantamento mostra os números da doença por município em meio à alta de 118% no país. Recife lidera ranking de obesidade entre as capitais.

A prevalência da obesidade no Brasil saltou 118% no Brasil de 2006 a 2024, chegando a uma proporção de 1 a cada 4 adultos no país (25,7%), mostraram os novos dados da pesquisa Vigitel, levantamento anual conduzido pelo Ministério da Saúde. Considerando o sobrepeso, quando o índice de massa corporal (IMC) ultrapassa 25 kg/m², a alta foi de 46,9%, e o quadro agora acomete a maioria dos brasileiros (62,6%).
De acordo com os números, extraídos pelo GLOBO, 36,3% dos brasileiros adultos atendidos no ano passado tinham obesidade, e 70,9% estavam acima do peso.
Entre as capitais, o levantamento mostra que Recife, em Pernambuco, lidera o ranking, com 47,17% da população adulta com obesidade. Considerando o sobrepeso, o percentual chega a 77,44%. Em segundo lugar, está Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com, respectivamente, 44,11% e 74,9%.
Manaus aparece 16º lugar com 38,85% dos cidadões obesos e 74,04% com sobrepeso.
Já na outra ponta, Palmas, no Tocantins, é a capital com a menor taxa de obesidade, segundo os dados do Sisvan, onde 29,31% da população adulta têm o diagnóstico. Considerando o sobrepeso, porém, o percentual sobe para 64,77%. Em seguida, está São Luís, no Maranhão, com 30,35% dos adultos com obesidade, e 68,03% com sobrepeso.
- Capital Taxa de obesidade Obesidade + Sobrepeso
- Recife……………………. 47,17% 77,44%
- Porto Alegre …………. 44,11% 74,90%
- Natal……………………..44,01% 77,34%
- Belo Horizonte……… 43,69% 74,16%
- Aracaju …………………41,64% 73,96%
- Curitiba……………….. 41,43% 72,76%
- Campo Grande……… 41,09% 3,57%
- Fortaleza ………………40,80% 75,18%
- Cuiabá …………………40,56% 73,19%
- Rio de Janeiro ………40,49% 71,98%
- Florianópolis ………..40,35% 71,02%
- Maceió …………………40,10% 73,34%
- João Pessoa ………….39,41% 72,17%
- Salvador ………………39,02% 71,56%
- Rio Branco …………..38,87% 71,65%
- Manaus ……………….38,85% 74,04%
- Porto Velho ………….38,60% 72,74%
- São Paulo …………….37,63% 72,17%
- Macapá ……………….36,36% 72,83%
- Goiânia ……………….35,70% 70,21%
- Boa Vista …………….35,32% 70,98%
- Belém …………………35,12% 71,77%
- Vitória ………………..34,06% 66,72%
- Teresina ……………..33,42% 69,95%
- Brasília ………………31,69% 66,89%
- São Luís …………….30,35% 68,03%
- Palmas ………………29,31% 64,77%
Fonte: Sisvan / Ministério da Saúde
A mesma pesquisa Vigitel mostra que o número de brasileiros que comem feijão pelo menos cinco vezes na semana caiu de 66,8%, em 2007, para 56,4% em 2024. Além disso, mais de 1 a cada 4 (25,5%) relatam ingerir cinco ou mais grupos de alimentos ultraprocessados por dia, e apenas 21% consomem o recomendado de frutas e hortaliças.
Já um estudo do Nupens mostrou que o fator mais determinante para um maior consumo de ultraprocessados é a renda, com municípios mais ricos e com mais pessoas com remuneração acima de cinco salários mínimos tendo um consumo maior. Em Florianópolis, Santa Catarina, por exemplo, chega a 30,5%, enquanto em Aroeiras do Itaim, Piauí, é de 5,7%.
Paralelamente, segundo a Vigitel, menos da metade (42,3%) faz atividade física na hora do lazer, e menos de 12% se exercitam no deslocamento para o trabalho ou para a escola. Para Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a obesidade não é uma doença de fácil manejo justamente por suas múltiplas causas:
— Consumo de ultraprocessados, inatividade física, tudo que comentamos sempre sobre o estilo de vida moderno tem se demonstrado os motores desse crescimento. Tivemos uma pequena melhora da atividade física no lazer na Vigitel, mas todo o restante mostra que as políticas públicas e a condução da prevenção da obesidade têm sido falhas e infelizmente não vão conseguir conter essa crise. Ao longo do tempo vemos apenas crescer o percentual da obesidade.
Outro fator que favorece o excesso de peso é um sono ruim porque eleva a resistência à insulina e desregula a produção dos hormônios ligados à fome e à saciedade. Pela primeira vez, a Vigitel avaliou esse aspecto e apontou que 20,2% dos brasileiros adultos dormem menos de seis horas por noite, e 31,7%, quase 1 em cada 3, relatam sintomas de insônia.


