
Oficialmente, o inverno começa no dia 21 de junho no Brasil, mas neste ano as baixas temperaturas vão chegar mais mais cedo em alguns estados brasileiros. A partir de segunda (16), nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, e de domingo (15), na região Sul, o frio deve estar mais forte do que normalmente é registrado em maio, segundo os principais serviços de meteorologia do país. A onda de frio pode chegar até ao Norte do país, mas de forma menos acentuada.
O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) aponta para o risco de geada no Sul e Sudeste e de friagem no Centro-Oeste. E cita até uma pequena possibilidade de neve nas serras gaúcha e catarinense.
De acordo com a previsão do Inmet, há condições para que boa parte dos Estados do Sul tenham temperaturas negativas entre os dias 16 e 20 de maio.
Já nas principais capitais do Sul e em algumas do Sudeste e Centro-Oeste, a temperatura mínima pode chegar a menos de 10º C. É o caso de Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Goiânia (GO), Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT).
Deve fazer frio também em Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP) — a previsão de mínimas abaixo de 10º C na capital paulista, aliás, é um dos fatores que mostram como o frio será atípico.
Já o Rio de Janeiro (RJ) e Vitória (ES) devem ter mínimas entre 17º C e 22º C.
O frio atípico das próximas semanas pode ser explicado pela conjunção de uma série de fatores climáticos (que afetam o clima, no longo prazo) e de tempo (mais localizados).
Um dos fatores é o La Niña – fenômeno que acontece quando há resfriamento das águas da região central do oceano pacífico por pelo menos três meses consecutivos.
Segundo as previsões, os fatores que trarão o frio atípico devem ir perdendo força entre 21 e 22 de maio, quando as temperaturas devem voltar ao que costumam ser neste mês.
O que está acontecendo no momento é que, neste cenário onde o fenômeno já afeta a atmosfera, vai haver a passagem de dois fatores meteorológicos pelo continente: o deslocamento de uma massa de ar polar vinda da Antártida e a passagem de um ciclone extratropical pelo sul do continente.
A passagem de massas de ar polar pelo continente é comum – é o que gera as frentes frias e, em geral, gera menos chuvas no sul e mais chuvas no norte. No entanto, em conjunto com a passagem do ciclone extratropical, ela cria as condições para um frio mais intenso.
O ciclone extratropical traz um pouco mais de umidade e intensificação dos ventos e risco de geadas no Sul e de friagem na região Centro-Oeste e em alguns estados do Norte.
A chegada da onda de frio até motivou o surgimento de uma expressão curiosa no Twitter para se referir às baixas temperaturas previstas como “erupção polar” — termo que não existe na meteorologia, como explicaram especialistas.


