A expectativa é de que o julgamento dure pelo menos três dias.

Na primeira sessão de julgamento de dois réus do “Massacre do Compaj” nesta terça-feira (9), na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus, os magistrados decidiram pelo segredo de Justiça do processo e determinaram que o plenário fosse esvaziado.
A rebelião que ocorreu no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, no dia 1º de janeiro de 2017, deixou 56 pessoas presos mortos. O julgamento deverá se estender por, pelo menos, três dias.
Anderson Silva do Nascimento e Geymison Marques de Oliveira são réus no processo nº 0211356-90.2018.8.04.0001, desmembrado do processo original.
Anderson Silva do Nascimento e Geymison Marques de Oliveira respondem pelos crimes acumulados de homicídio qualificado (56 vezes), praticado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas; vilipêndio de cadáver (46 vezes, referente aos atos de esquartejamento e decapitação); tortura (26 vezes, contra as vítimas antes da morte); organização criminosa (pela afiliação e atuação estruturada dentro de uma facção criminosa).
O julgamento está sendo presidido por um colegiado de magistrados. O Ministério Público também destacou três promotores de justiça para atuar no primeiro julgamento.
Anderson Silva do Nascimento está preso e foi apresentado para julgamento. Geymison Marques de Oliveira está em liberdade provisória e não compareceu ao júri. Seu advogado, presente em plenário, solicitou a participação do réu por videoconferência, o que foi autorizado pelo Colegiado de Magistrados.
O julgamento terá a oitiva de 15 testemunhas, podendo este número aumentar ou ser reduzido, pois depende tanto da defesa, quanto da acusação.
Este é o primeiro de uma série de 22 processos a serem julgados, relativos ao “Massacre do Compaj”. Os outros 21 processos estão na pauta da 2ª Vara do Júri para o ano de 2026.
Confronto dentro da unidade
A rebelião começo por volta das 16h, quando detentos do pavilhão 3, entre eles membros da facção criminosa Família do Norte (FDN), renderam agentes e trocaram tiros com policiais militares em uma área da unidade conhecida como “seguro”. No local ficavam presos considerados vulneráveis e alguns integrantes de outra facção, o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Após cerca de 16 horas, os presos libertaram os reféns e entregaram as armas, na manhã do dia 2 de janeiro. Ao todo, 17 armas foram apreendidas, e a SSP classificou o episódio como uma “briga de facções”.
Nos dias seguintes à chacina, familiares dos detentos, principalmente mães e esposas, foram ao local em busca de informações sobre os presos.


