Entidades médicas estabeleceram três critérios para decidir quais pacientes devem ter prioridade no atendimento em caso de esgotamento de recursos

Quatro entidades médicas se reuniram para criar um protocolo ético e técnico para que os médicos possam decidir quais pacientes terão prioridade de atendimento em caso de esgotamento de recursos durante a pandemia de covid-19. O objetivo do “Protocolo AMIB de alocação de recursos em esgotamento durante a pandemia por covid-19”, segundo as entidades que o assinam — AMIB (Associação de Medicina Intensiva Brasileira), ABRAMEDE (Associação Brasileira de Medicina de Emergência, SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) e ANCP (Academia Nacional de Cuidados Paliativos) — é fornecer critérios claros para que os médicos não tenham de decidir de maneira muitas vezes subjetiva, aumentando a pressão e a carga emocional sobre eles, o que pode até mesmo vir a impossibilitá-los para o trabalho.
Idade não é critério de eliminação – Este documento é a segunda versão do procotolo. A publicação da primeira versão incluía a idade como um dos três principais critérios de triagem. Esse critério foi retirado.
“Compreendeu-se que este critério poderia ser discriminatório (e, portanto, inconstitucional) e que sua presença poderia comprometer a base de solidariedade que é característica da atenção em saúde.”
Quais são os critérios adotados? – Segundo o documento, a escolha será feita com base em três critérios, a saber:
1) Salvar o maior número de vidas
O critério aqui adotado é o SOFA (Sequential Organ Failure Assessment), que pontua a gravidade da condição do paciente. Essa escala vai de 0 a 4, sendo 0 a menos grave e 4 a mais grave. Quanto maior a pontuação, menor a chance de sobreviver.
2) Salvar mais anos de vida – O segundo critério é salvar o maior número de anos/vida, ou seja, salvar o maior número de vidas que sejam também mais longas. Isto é feito através da identificação de maior probabilidade de sobrevida inferior a um ano em decorrência da presença de comorbidades. Pacientes cuja expectativa de vida seja inferior a um ano recebem 3 pontos. Os demais não recebem pontuação.
3) Condição física do paciente – Para este critério é utilizada uma medida de funcionalidade usada em oncologia chamada ECOG (Eastern Cooperative Oncology Group) que mede a capacidade funcional física e de independência e auto-cuidado do paciente. Esse critério foi adotado por ser mais neutro em relação à idade. Esta escala vai de 0 (completamente ativo) a 4 pontos (completamente incapaz de realizar auto-cuidados básico, totalmente confinado ao leito ou à cadeira).
Resultado para a escolha – Quanto menor for a pontuação de um paciente segundo esses critérios, maior será a sua prioridade de alocação de recursos escassos. Se houver empate, os critérios adotados de desempate serão:
• Menor pontuação do SOFA
• Julgamento da equipe


