Arma é lançada de um drone e carrega seis longas lâminas que fatia o alvo por completo e evita danos colaterais

As Forças Armadas dos Estados Unidos utilizaram uma arma nova, e inusitada, para matar o chefe da Al-Qaeda na Síria, Khaled al-Aruri. No lugar de uma ogiva explosiva, o míssil R9X usado na ação carrega seis lâminas afiadíssimas que fatiam o alvo por completo – minimizando os danos colaterais.
A arma foi apelidada de “Ginsu voadora”, em referência a marca de facas famosa pelos comerciais na TV nos anos 1970 nos Estados Unidos (e 1980 no Brasil), que cortavam quase tudo.
O alvo na Síria foi Khaled al-Aruri, líder de ramo local da Al-Qaeda, chamado Hurras al-Din. O míssil Hellfire modificado que levava a arma foi disparado de um drone, e arremessou seis longas lâminas metal afiadas na parte superior do carro de Al-Aruri. As lâminas saem do míssil segundos antes do impacto, para cortar qualquer coisa em seu caminho.
De acordo com o New York Times, o R9X foi desenvolvido inicialmente há quase uma década, por pressão do presidente Barack Obama. A ideia era reduzir baixas de civis e danos à propriedade nas ações norte-americanas contra o terrorismo em locais como Afeganistão, Paquistão, Iraque, Síria, Somália e Iêmen.
Detalhes da arma, porém, só vieram a público no ano passado, em uma matéria do Wall Street Journal. O míssil modificado foi usado poucas vezes nos últimos anos, de acordo com autoridades norte-americanas, normalmente quando um líder terrorista é localizado e o uso de armas coloca em risco civis próximos.
Dois casos são conhecidos: as mortes de Jamal al-Badawi em 2019, um dos suspeitos de planejar o atentado contra o destroier da Marinha dos EUA em 2000, e do líder de segundo escalão da Al-Qaeda, Abu al-Khayr al-Masri, genro de Osama bin Laden, em 2017.
Uma foto do carro (ver abaixo) em que Al-Masri viajava mostra o resultado do ataque direcionado, com o veículo relativamente inteiro a não ser pelo buraco no teto acima de onde o homem estava.

De acordo com as Forças Armadas norte-americanas, o R9X também resolve outro problema: cada vez mais, terroristas estavam se adaptando aos ataques aéreos dos EUA, se escondendo entre grupos de mulheres e crianças para ficar fora de alcance.
Um ex-funcionário do Exército que conversou com o WSJ disse é teoricamente possível matar alguém sentado no banco do passageiro de um carro em movimento, mas não o motorista.


