
Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou o pedido feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR), nesta quarta-feira (16), e adicionou o nome do general da reserva e ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Gonçalves Dias, no inquérito que apura o envolvimento de militares nos atos radicais do 8 de janeiro. O pedido foi feito pelo Partido Novo à PGR, que encaminhou ao STF e teve acolhimento por parte do ministro.
As evidências que saltam do comportamento de GDias, reveladas pelas imagens do circuito de segurança do Palácio do Planalto no famigerado dia 8 de janeiro, somadas aos depoimentos de militares mencionando que a conduta do ex-chefe do GSI poderia indicar “elementos importantes”, foram fatores determinantes para a inclusão do general no inquérito.
– (…) Deve-se deixar claro que também eventual conclusão pelo delito de prevaricação haverá de conhecer subsunção no Código Penal comum (art. 319) e não no Código Penal Militar (também o art. 319), possibilitando, igualmente, a investigação pela Polícia Federal, qual vem ocorrendo com as demais condutas – observou a PGR em ofício a Moraes.
O ministro da Suprema Corte entendeu que os fatos levantados pelo sub-procurador-geral Carlos Frederico Santos “estão abrangidos pela investigação em curso na Pet 11.027-DF, inclusive com a realização da oitiva de vários militares”.
Dias mentiu
Em 6 de janeiro, Dias enviou uma mensagem a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) avisando que atos violentos poderiam acontecer. As informações são do colunista Paulo Cappelli, do site Metrópoles.
Segundo o jornalista, a mensagem no WhatsApp foi recebida pelo então diretor da Abin, Saulo Moura da Cunha. Era uma circular que rodava por grupos extremistas:
Mensagem postada em grupos patriotas. Vamos atuar em 3 frentes. 1ª frente: acampar em frente às distribuidoras nas cidades (não tem combustível, ninguém trabalha). 2ª frente: fechar a entrada dos 3 Poderes em Brasília: Executivo, Legislativo e Judiciário (quem puder ir para Brasília, vá!). 3ª frente: quem estiver em lugares afastados, fiquem nos quartéis!
CACs, vocês foram convocados para darem suporte aos que estão nas refinarias, distribuidoras e em frente aos Três Poderes.
Naquele dia, Saulo Moura compartilhou com Dias dois relatórios de monitoramento. O primeiro, feito pela manhã, indicava “baixa adesão ao chamamento para manifestação contrárias ao governo eleito”. Na noite do dia 6, o relatório da Abin já alertava para a possibilidade de invasões:
Destaca-se a convocação por parte de organizadores de caravanas para o deslocamento de manifestantes com acesso a armas e a intenção manifesta de invadir o Congresso Nacional. Outros edifícios na Esplanada dos Ministérios poderiam ser alvo de ações violentas.
Dias já não respondia às mensagens de Saulo Moura. Ele ignorou 11 alertas no dia 7 de janeiro, inclusive um relatório que indicava a chegada de caravanas com 2.500 pessoas a Brasília para a mobilização ‘Tomada do Poder”.


