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Morte em protestos coloca Irã na mira dos Estados Unidos

Os Estados Unidos estão “prontos para ajudar” os iranianos a alcançar a liberdade “como nunca antes”, prometeu ontem o presidente Donald Trump, enquanto manifestações contra o regime islâmico ganhavam as ruas de Teerã, já na madrugada de hoje (horário local, tarde de ontem em Brasília), marcando a entrada na terceira semana de protestos contra a crise econômica. O foi feito por Trump uma semana depois de ter ordenado uma incursão militar na Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro.

O receio de que o governo reprima mais violentamente os protestos se intensifica à medida que a crise recrudesce, com manifestantes queimando bandeiras e retratos do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, que denuncia uma “ingerência” de Washington. Os iranianos estão sem acesso à internet desde a última quinta-feira, em meio à contestação mais veemente ao regime nos últimos três anos.

A situação representa um dos principais desafios às autoridades teocráticas que governam o país desde a Revolução Islâmica de 1979. “O Irã vislumbra a liberdade, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar!”, publicou Trump em sua rede social Truth Social. A publicação foi postada um dia depois de o presidente norte-americano anunciar, uma vez mais, que poderia ordenar ataques militares. O secretário de Estado, Marco Rubio, publicou no X que “os Estados Unidos estão ao lado do corajoso povo iraniano”.

Imagens que circulam nas redes sociais e são transmitidas por canais de televisão em língua persa, fora do Irã, mostram que os protestos se espalharam para além da capital. Manifestações foram documentadas em algumas das principais cidades, como Mashhad, Tabriz e Qom.

Ainda ontem, Reza Pahlavi, filho exilado do último xá do Irã, celebrou a “magnífica” participação nas manifestações de sexta-feira. Além disso, Pahlavi estimulou os iranianos a organizarem protestos mais focados durante o fim de semana e a “tomarem e controlarem os centros urbanos”. Pahlavi, cujo pai, Mohammad Reza Pahlavi, foi deposto na revolução de 1979 e morreu em 1980, anunciou que está se preparando para “retornar à pátria” em breve.

O acesso à internet foi bloqueado pelas autoridades, segundo a ONG de cibersegurança Netblocks. “O regime iraniano cortou os canais de comunicação dentro do país” e “bloqueou todos os meios de contato com o mundo exterior”, alertaram dois cineastas e militantes conhecidos, Mohammad Rasulof e Jafar Panahi. “A experiência comprova que o objetivo dessas medidas é encobrir a violência infligida durante a repressão aos protestos”, declararam eles na conta do Instagram de Panahi, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado.

A ganhadora iraniana do Nobel da Paz, Shirin Ebadi, afirmou na sexta-feira que as forças de segurança podem estar se preparando para cometer um “massacre sob a cobertura de um amplo bloqueio de comunicações”. Segundo ela, a ONG Iran Human Rights divulgou fotos de corpos empilhados em um hospital.

A Anistia Internacional informou que está analisando evidências que sugerem que a repressão se intensificou nos últimos dias. Desde o início dos protestos, em 28 de dezembro, pelo menos 51 manifestantes, incluindo nove crianças, morreram e centenas de feridos, segundo um comunicado divulgado na sexta-feira pela Iran Human Rights. Ontem, a televisão estatal transmitiu imagens dos funerais de membros das forças de segurança mortos durante os protestos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prestou o apoio da União Europeia às “mulheres e homens iranianos que reivindicam liberdade”, e denunciou a “repressão violenta” aos protestos.

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